A Lei Do Dízimo Caducou a Partir da Morte de CristoImprimir
Questões Bíblicas – Perguntas e Respostas (Parte IV)
Pergunta:

Na atualidade a maioria das instituições religiosas defende a obrigatoriedade da entrega do dízimo. Em defesa de seus argumentos, essas instituições citam as seguintes passagens bíblicas: Gênesis 14:20; Gênesis 28:20-22; Malaquias 3:8-11; Mateus 23:23; Hebreus 7:4-6. De acordo com estes textos bíblicos, os cristãos devem ou não entregar o dízimo?

Resposta:

A partir da morte de Cristo os cristãos não são mais obrigados a entregar o dízimo. É um equívoco dos mais lamentáveis a forma como muitos líderes religiosos desvirtuam e interpretam mal os ensinamentos das Escrituras Sagradas. Infelizmente os estudos e pregações sobre o dízimo, realizados hoje pela maioria das instituições religiosas, têm apenas um objetivo: Mostrar ao membro a necessidade imperativa de depositar nos cofres da igreja 10% de suas rendas e para isto enfatizam repetidamente a ordem contida no livro de Malaquias “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro...” Malaquias 3:10.

Ao continuarem defendendo a lei do dízimo nos dias atuais, estas instituições religiosas passam a desrespeitar inescrupulosamente as regras básicas daquela extinta lei que foi instituída por Deus logo após a libertação do povo de Israel do domínio egípcio. A lei requeria que a tribo de Levi fosse sustentada com os dízimos, os quais eram em forma de alimentos entregues pelas demais tribos de Israel como recompensa pelos seus trabalhos no Santuário. A esse respeito Deus declarou o seguinte:

“Eis que aos filhos de Levi tenho dado todos os dízimos em Israel por herança, pelo serviço que prestam, o serviço da tenda da revelação. ...Porque os dízimos que os filhos de Israel oferecerem ao Senhor em oferta alçada, Eu os tenho dado por herança aos levitas; porquanto Eu lhes disse que nenhuma herança teriam entre os filhos de Israel.” Números 18:21 e 24.

A outra questão é que, de acordo com aquela lei, os sacerdotes tinham o direito de receber dos levitas o dízimo do dízimo, que era entregue pelo povo das demais tribos de Israel (Êxodo 40:12-15; Números 18:25-28). Os sacerdotes tinham que ser também descendentes da tribo de Levi e ao mesmo tempo descendentes diretos de Arão. Hoje esta lei está sendo totalmente desrespeitada, pois os atuais sacerdotes e pastores que se beneficiam dos dízimos não são descendentes diretos da tribo de Levi e muito menos descendentes da família de Arão.

Os líderes religiosos que insistem aplicar aquela extinta lei, cometem outros equívocos. O termo “dízimo” faz referência a “alimentos” e não “dinheiro”. Apesar de ter havido circulação de dinheiro na época, jamais ele foi utilizado para pagamento do dízimo. Todas as passagens bíblicas que tratam sobre esse assunto, descrevem o dízimo como sendo parte do produto da terra, da semente do campo, do fruto das árvores, do gado e do rebanho. Os textos abaixo não deixam dúvidas a esse respeito:

“Também todos os DÍZIMOS DA TERRA, QUER DOS CEREAIS, QUER DO FRUTO DAS ÁRVORES, pertencem ao Senhor; santos são ao Senhor. ...Quanto a todo DÍZIMO DO GADO E DO REBANHO, de tudo o que passar debaixo da vara, esse dízimo será santo ao Senhor.” Levítico 27:30 e 32.

“Certamente darás os DÍZIMOS DE TODO O PRODUTO DA TUA SEMENTE QUE CADA ANO SE RECOLHE DO CAMPO. E perante o Senhor teu Deus, no lugar que escolher para ali fazer habitar o Seu nome, COMERÁS OS DÍZIMOS DO TEU GRÃO, DO TEU MOSTO E DO TEU AZEITE, E OS PRIMOGÊNITOS DAS TUAS VACAS E DAS TUAS OVELHAS... Ao fim de cada terceiro ano levarás todos OS DÍZIMOS DA TUA COLHEITA DO MESMO ANO, e os depositarás dentro das tuas portas. Então virá o levita, o estrangeiro, o órfão e a viúva, que estão dentro das tuas portas, e COMERÃO E FARTAR-SE-ÃO, para que o Senhor teu Deus te abençoe em toda obra que as tuas mãos fizerem.” Deuteronômio 14:22, 23,28 e 29.

Ver também Números 18:27,28; Deuteronômio 12:17; II Crônicas 31:5; Neemias 10:37; 13:5; Malaquias 3:10; Mateus 23:23 e Lucas 11:42.

O plano de Deus era que os produtos agropecuários atendessem aos anseios espirituais da nação de Israel e servissem para uma melhor justiça social. O dízimo desses produtos era levado de ano em ano perante Deus, no lugar que Ele escolhera para ali fazer habitar o Seu nome (Deuteronômio 14:23). Esse lugar evidentemente era o Santuário central e mais tarde o Templo. Era permitido que o dízimo fosse comido pelo próprio dizimista, pelos membros de sua casa e pelos levitas. No entanto, a cada terceiro ano o dízimo era deixado para os levitas, os estrangeiros, órfãos e viúvas (Deuteronômio 14:28 e 29).

Como explicar...

I – GÊNESIS 14:20

“E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos! E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo.” Gênesis 14:20.

O dízimo de Abraão não pode ser utilizado como modelo para os dias atuais pelas seguintes razões:

1) – A Palavra de Deus não diz que o dízimo entregue por Abraão a Melquisedeque tenha sido obrigatório;

2) O dízimo de Abraão foi somente dos despojos de guerra (Hebreus 7:4);

3) O dízimo de Abraão a Melquisedeque aconteceu apenas uma vez, portanto, não era sistemático;

4) O dízimo de Abraão não proveio de seus ganhos financeiros e nem do seu patrimônio pessoal.

II – GÊNESIS 28:20-22

“Fez também Jacó um voto, dizendo: Se Deus for comigo e me guardar neste caminho que vou seguindo, e me der pão para comer e vestes para vestir, de modo que eu volte em paz à casa de meu pai, e se o Senhor for o meu Deus, então esta pedra que tenho posto como coluna será casa de Deus; e de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo.” Gênesis 28:20-22.

Sem dúvida alguma o histórico de Jacó é espetacular, no entanto, na questão do dízimo, as conclusões são nada animadoras:

1) Ao fazer um voto a Deus, Jacó estava provando de que ele não era dizimista. Ao ser criado no rigor da religião patriarcal, será que Jacó não aprendeu de seu avô e de seu pai esta prática, caso ela realmente existiu? Voto é propor algo novo na busca de uma melhor experiência espiritual. Como pode alguém fazer um voto de algo que já faz parte de sua rotina?

2) O dízimo de Jacó era condicional: primeiro a bênção, depois o dízimo. Importante observar que o ônus da prova estava com Deus. Se Deus não o abençoasse, ele não daria o dízimo. As instituições religiosas hoje ensinam o oposto. A bênção de Deus é condicional. Primeiro o dízimo, depois as bênçãos.

3) Há um terceiro aspecto interessante neste relato. Jacó propõe à Deus cinco condições agregadas:

- Se Deus for comigo, e
- Me guardar nesta viagem que faço, e
- Me der pão para comer, e
- Vestidos para vestir, e
- Eu em paz tornar à casa de meu pai.

As cinco condições estão unidas pela preposição “e” (Gênesis 28:20). Se Deus atendesse apenas quatro dos cinco itens da lista de requisições, Jacó estaria automaticamente livre de cumprir o voto. Ele pediu a presença de Deus + proteção + comida + roupa + paz. Segundo o voto que Jacó fez, ele daria o dízimo se todas as condições fossem atendidas. Todas, sem exceção.

Se Jacó deu o seu dízimo, não sabemos, pois não há registro bíblico sobre isto. Apenas sabemos que todas as condições foram atendidas por Deus ao longo dos 20 (vinte) anos seguintes, culminando com o seu retorno à Canaã (Gênesis 31:38 e 33:18-20).

III – MALAQUIAS 3:8-11

“Pode um homem enganar a Deus? Pois vós Me enganais! E dizeis: Em que Te enganamos? Em relação ao dízimo e à contribuição. Vós estais sob a maldição e continuais e Me enganar, vós todo o povo. Trazei o dízimo integral para o Tesouro, a fim de que haja ALIMENTO em Minha casa. Provai-Me com isto, disse Iahweh dos Exércitos, para ver se Eu não abrirei as janelas do céu e não derramarei sobre vós bênção em abundância. Por vós, Eu ameaçarei o gafanhoto, para que não destrua os frutos de vosso campo, e para que a vinha não fique estéril no campo, disse Iahweh dos Exércitos.” Malaquias 3:8-11 - (Bíblia de Jerusalém)

No livro de Malaquias, a lei do dízimo fazia parte do sistema sacerdotal levítico, o qual foi extinto com a morte de Cristo. Neste texto a palavra original hebraica “TEREPH” é corretamente traduzida na Bíblia de Jerusalém como ALIMENTO. Outras versões traduzem como “COMIDA” ou “MANTIMENTO”. O dízimo era sempre entregue em forma de cereais, grãos, frutas e animais, jamais em dinheiro. (ver Levítico 27:30-32; Números 18:27,28; Deuteronômio 12:17; Deuteronômio 14:22, 23,28 e 29; II Crônicas 31:5; Neemias 10:37; 13:5; Mateus 23:23 e Lucas 11:42).

O texto sob análise revela que Deus prometeu “abrir as janelas do céu” ou, segundo outras versões “abrir as comportas do céu”. É interessante esclarecer que a expressão hebraica para “comportas (janelas) do céu” é exatamente a mesma encontrada em Gênesis 7:11 e 12. Quando as comportas do céu se abriram na época de Noé, houve muita chuva. As bênçãos para os dizimistas fiéis, descritas no livro de Malaquias, não eram carros novos, dinheiro, etc., mas sim, chuvas na medida certa que molhavam a terra e faziam germinar as sementes, para que se produzisse uma grande colheita.

Além de prometer chuvas na medida certa sobre as plantações, Deus prometeu proteger os frutos do campo do ataque de temidos insetos devoradores. Deus estava prometendo que, se os israelitas trouxessem o décimo dos cereais, do fruto das árvores e dos seus animais, Ele não permitiria que viessem pragas de gafanhotos sobre suas plantações. O capim do campo também não seria destruído, impedindo que os animais morressem de fome.

Fazendo uma leitura atenta do texto de Malaquias 3:8-11, observa-se que a extinta lei do dízimo estava intimamente relacionada aos produtos agropecuários. A décima parte desses produtos era depositada em câmaras especiais preparadas no templo. Na época de Neemias estas câmaras eram chamadas de “câmaras dos tesouros” (Neemias 12:44) e mais tarde como “casa do tesouro”, segundo algumas versões bíblicas (Malaquias 3:10).

IV – MATEUS 23:23

A nova aliança teve início com a morte de Cristo. Com a revogação do primeiro pacto, que dependia da morte de animais, estabeleceu-se o segundo pacto, que dependia da morte de Cristo (Hebreus 9:15-17; 10:9 e 10). As normas associadas aos sacrifícios de animais e às atividades gerais no Santuário apontavam para o maior e perfeito sacrifício que se concretizaria no Calvário.

Todas as palavras de Jesus encontradas nos quatro Evangelhos, proferidas antes de Sua morte, foram ditas durante a vigência do sistema sacerdotal levítico, período em que a entrega do dízimo ainda era obrigatória, conforme determinava a lei. Há poucas referências sobre o dízimo durante o desempenho do ministério de nosso Senhor Jesus Cristo e em nenhuma delas é mencionado que Jesus deu o dízimo. Como Jesus não exercia a atividade agropecuária, Ele estava isento de dizimar. A lei assim o determinava (ver estudo: O dízimo durante a vigência do sistema sacerdotal levítico). Não há registro de que Ele tivesse sido cobrado ou acusado pelos fariseus por causa disto.

Os únicos textos encontrados são:

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes omitido o que há de mais importante na lei, a saber, a justiça, a misericórdia e a fé; estas coisas, porém, devíeis fazer, sem omitir aquelas.” Mateus 23:23.

“Mas ai de vós, fariseus! Porque dais o dízimo da hortelã, e da arruda, e de toda hortaliça, e desprezais a justiça e o amor de Deus. Ora, estas coisas importava fazer, sem deixar aquelas.” Lucas 11:42.

“Jejuo duas vezes na semana, e dou o dízimo de tudo quanto ganho.” Lucas 18:12.

Em todas estas citações, o Senhor Jesus colocou a questão do dízimo numa situação secundária. Ao proferir estas palavras, Ele tinha como principal objetivo repreender os fariseus, por serem orgulhosos e por terem omitido o que era mais importante da lei: a prática da justiça, da misericórdia e da fé.

As denominações religiosas que defendem a validade do dízimo com base no que está escrito em Mateus 23:23 e Lucas 11:42, certamente não aceitariam hoje o dízimo da hortelã, do endro, do cominho, da arruda e de toda hortaliça para manterem as suas gigantescas estruturas institucionais e além disso, provado está através estes textos que o dízimo não era entregue em dinheiro.

V – HEBREUS 7:4-6

“Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu o dízimo dentre os melhores despojos. E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem, segundo a lei, de tomar os dízimos do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que estes também tenham saído dos lombos de Abraão; mas aquele cuja genealogia não é contada entre eles, tomou dízimos de Abraão, e é abençoado pelo maior.” Hebreus 7:4-6.

O termo “dízimo” também encontra-se registrado no capítulo 7 da epístola aos Hebreus. Antes de tirar quaisquer conclusões, recomenda-se analisar todo o contexto. O assunto tratado neste capítulo não faz referência se o dízimo deve ou não ser praticado nos dias de hoje e nem faz referência quando dizimar e onde entregá-lo. A realidade é que o autor da carta tinha como objetivo mostrar a superioridade do sacerdócio de Cristo em relação ao sacerdócio de Arão, usando Melquisedeque como um tipo de Cristo. O profeta Davi também já havia profetizado que o Messias seria “sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisideque.” Salmos 110:4. A questão é que o sacerdote e rei Melquisedeque viveu antes do nascimento de Isaque, portanto, não era descendente da tribo de Levi (um dos netos de Isaque). O autor do livro de Hebreus apenas queria mencionar que a esse Melquisedeque o patriarca Abraão deu o dízimo sobre os despojos de guerra, conforme relatado em Gênesis 14:18-20.

Este assunto tinha que ser esclarecido principalmente àqueles que ainda seguiam os rituais de sacrifícios da antiga aliança. Nos capítulos 7 a 10, o autor deixa bastante claro que o objetivo é demonstrar a superioridade do sacerdócio de Jesus sobre o sacerdócio de Arão. O antigo sistema sacerdotal baseado no parentesco de Arão foi cancelado por Deus, porque ele era fraco e inútil para salvar o povo de seus pecados (Hebreus 7:18). A esse respeito o autor do livro de Hebreus faz a seguinte indagação: “...se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico (pois sob este o povo recebeu a lei), que necessidade havia ainda de que outro sacerdote se levantasse, segundo a ordem de Melquisedeque, e que não fosse contado segundo a ordem de Arão?” Hebreus 7:11. Em seguida diz a Palavra de Deus que “mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei.” Hebreus 7:12. A mudança da lei era necessária porque Cristo não pertencia à genealogia da tribo de sacerdotes de Levi, mas proveio da tribo de Judá. Conforme determinava a lei, nos quesitos que regulavam as atividades no Santuário, a tribo de Judá não podia exercer o sacerdócio porque ela não havia sido escolhida por Deus para esse serviço.

Assim, todas as cerimônias associadas aos sacrifícios realizadas no Santuário foram abolidas com a morte de Cristo, pois elas apenas tipificavam a “oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez para sempre.” Hebreus 10:10. Aqueles cerimoniais eram sombras da realidade que é Cristo, o qual alcançou um “ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de um melhor pacto, o qual está firmado sobre melhores promessas”. Hebreus 8:6. Cristo Se manifestou, “para aniquilar o pecado pelo sacrifício de Si mesmo.” Hebreus 9:26.

O autor da epístola aos Hebreus tinha como objetivo principal focar a questão da mudança de modelo sacerdotal e não imprimir uma base doutrinária sobre o dízimo.

VI – CONCLUSÃO

Estar isento do dízimo não quer dizer estar isento de responsabilidades para com o cumprimento dos propósitos de Deus, como por exemplo, ajudar diretamente às necessidades de nosso próximo. Todos os dons devem ser ministrados individualmente com responsabilidade e de acordo com as orientações de Deus.

Deus não pede de nós o impossível e nem o irrazoável, apenas uma completa consagração a Ele. A esse respeito o apóstolo Paulo diz o seguinte:

“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Romanos 12:1 e 2.






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