Paulo e a Carta aos GálatasImprimir
Questões Bíblicas – Perguntas e Respostas (Parte IX)
PERGUNTA:
Teria o apóstolo Paulo escrito sua carta aos gálatas com o objetivo de anunciar-lhes a respeito da revogação ou extinção da lei dos dez mandamentos, escritos pelo próprio dedo de Deus?

RESPOSTA:
A carta aos gálatas foi escrita provavelmente em 54 ou 55 dC., num contexto específico, sobretudo com a finalidade de responder a alguns problemas concretos que estavam ocorrendo naquela comunidade cristã.

A grande preocupação e descontentamento do apóstolo Paulo ao escrever esta carta tinha a ver com um grupo de pessoas que perturbava e desejava perverter o Evangelho de Cristo:

“Estou admirado de que tão depressa estejais desertando daquele que vos chamou na graça de Cristo, para outro evangelho, o qual não é outro; senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo.” Gálatas 1:6 e 7.

Este grupo de agitadores insistia que a congregação dos gálatas, formada em sua maioria por gentios, deveria, além de acreditar em Cristo, aceitar também a circuncisão como meio de salvação.

Logo no início de sua carta ele fez uma declaração contundente, a respeito do judaísmo:

“Pois já ouvistes qual foi outrora o meu procedimento no judaísmo, como sobremaneira perseguia a igreja de Deus e a assolava, e na minha nação excedia em judaísmo a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais.” Gálatas 1:13 e 14.

A preocupação de Paulo era notória quanto aos excessos do judaísmo e suas práticas farisaicas e quanto isso tudo tem sido nocivo, se comparados com o puro evangelho apresentado por Jesus Cristo. Paulo manifestou-se contrário ao judaísmo (ritualismo cerimonial judaico), porque muitas dessas práticas apontavam para Cristo e foram cumpridas com o Seu sacrifício. Por essa razão é muito oportuno este estudo, pois as colocações apresentadas pelo apóstolo Paulo davam ênfase principalmente à questão da lei que fazia referência à CIRCUNCISÃO, cuja expressão foi mencionada 12 (doze) vezes somente na carta aos gálatas (2:3; 2:7; 2:8; 2:9; 2:12; 5:2; 5:3; 5:6; 5:11; 6:12; 6:13; 6:15). Para o atento pesquisador das Escrituras Sagradas fica claro que a lei da circuncisão fazia parte dos ritos e cerimonias descritas simplesmente como “a lei de Moisés”. Jesus, ao se defender dos ataques de Seus opositores, disse-lhes:

“Ora, se um homem recebe a circuncisão no sábado, para que a LEI DE MOISÉS não seja violada, como vos indignais contra Mim, porque no sábado tornei um homem inteiramente são?” João 7:23.

Mais tarde, após a ascensão de Jesus, alguns dentre os judeus dirigiram-se à Judéia com a finalidade de transmitir aos irmãos, que se congregaram naquela localidade, a seguinte mensagem: “Se não vos circuncidardes, segundo o RITO DE MOISÉS, não podeis ser salvos.” Atos 15:1.

Diz o relato bíblico que houve ali uma séria discussão por causa da questão da circuncisão. Diante desses fatos, os irmãos daquela congregação resolveram enviar Paulo, Barnabé e mais alguns dentre eles para Jerusalém, afim de considerarem com os outros apóstolos e anciãos sobre esse assunto. Quando chegaram em Jerusalém, eles foram recebidos pelos demais irmãos, apóstolos e anciãos e, após relatarem tudo quanto Deus fizera por meio deles, eis que dentre os irmãos daquela congregação haviam alguns “da seita dos fariseus, que tinham crido, se levantaram, dizendo que era mister circuncidá-los e mandar-lhes que guardassem a LEI DE MOISÉS.” Atos 15:5.

A circuncisão foi instituída por Deus quando Abraão tinha noventa e nove anos (ver Gênesis 17:24). Quando Abraão foi justificado, conforme lemos em Gênesis 15:6, ele não era ainda circuncidado, fato que aconteceu posteriormente. Assim, pois, Abraão não foi justificado pela circuncisão, mas pela graça, aceita pela fé. A circuncisão era apenas um sinal ou selo da experiência salvadora. A primeira referência e o estabelecimento da cicuncisão como pacto entre Deus e Abraão encontramos registrados em Gênesis 17:9-14:

“Disse mais Deus a Abraão: Ora, quanto a ti, guardarás o Meu pacto, tu e a tua descendência depois de ti, nas suas gerações. Este é o Meu pacto, que guardareis entre Mim e vós, e a tua descendência depois de ti; todo varão dentre vós será circuncidado. Circuncidar-vos-eis na carne do prepúcio; e isto será por sinal de pacto entre Mim e vós. À idade de oito dias, todo varão dentre vós será circuncidado, por todas as vossas gerações, tanto o nascido em casa, como o comprado por dinheiro a qualquer estrangeiro, que não for da tua linhagem. Com efeito será circuncidado o nascido em tua casa, e o comprado por teu dinheiro, assim estará o Meu pacto na vossa carne como pacto perpétuo. Mas o incircunciso, que não se circuncidar na carne do prepúcio, essa alma será estirpada do seu povo; violou o Meu pacto.”

No passado, a circuncisão era um sinal do concerto de Deus com Abraão e sua descendência, incorporada posteriormente, de forma explícita, na lei de Moisés (ver Levítico 12:3). Hoje, porém a verdadeira circuncisão, não feita por mãos humanas, é aquela que acontece com todos os que experimentam uma real convicção relacionada à pecaminosidade humana. O apóstolo Paulo torna muito evidente esse assunto em sua carta escrita à comunidade cristã de Colossos:

“Também em união com Ele (Jesus) vocês foram circuncidados, não com a circuncisão feita por mãos humanas, mas com a realizada pela remoção do controle da velha natureza sobre o corpo. Nessa circuncisão feita pelo Messias, vocês foram sepultados com Ele por meio da imersão; e foram ressuscitados em união com Ele pela fidelidade de Deus que atuou ao ressuscitá-Lo dentre os mortos. Vocês estavam mortos por causa de seus pecados, isto é, em razão do “prepúcio”- a velha natureza. Deus, porém, os fez viver com o Messias ao lhes perdoar todos os pecados.” Colossenses 2:11-13.

As palavras do profeta Isaías expressam uma verdade inquestionável:

“Pois todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades, como o vento nos arrebatam.” Isaías 64:6.

Quando chegamos a nos reconhecer desta maneira, então Deus opera a circuncisão, não aquela feita por mãos humanas, mas o que é realizada pela remoção do controle da velha natureza sobre o corpo. Essa circuncisão acontece no coração e nada tem a ver com a remoção física do prepúcio. Todo aquele que experimenta a verdadeira circuncisão, sepulta a velha natureza e passa a ser uma nova criatura em Cristo Jesus.

Depois de catorze anos de sua conversão, após o encontro que ele teve com o Salvador Jesus Cristo a caminho de Damasco, Paulo expressa seu descontentamento com esses “falsos irmãos”, partidários às cerimônias rituais e defensores intransigentes da circuncisão:

“Depois, passados catorze anos, subí outra vez a Jerusalém com Barnabé, levando também comigo a Tito. ...Mas nem ainda Tito, que estava comigo, sendo grego, foi constrangido a circuncidar-se; e isto por causa dos falsos irmãos que se tinham entremetido, e secretamente entraram a espiar a nossa liberdade, que temos em Cristo Jesus, para nos escravizar.” Gálatas 2:1, 3-4.

Muitos incautos utilizam a carta aos gálatas como coluna mestra para disseminar a falsa interpretação de que o apóstolo Paulo tenha propagado o cancelamento, destruição e término de uma lei que era a expressão pura do caráter amoroso do Deus de Israel. e que foi dada no monte Sinai. Seria possível haver tamanha contradição nos escritos do apóstolo Paulo? Não acreditamos nisso, porque, em defesa da lei de Deus (os dez mandamentos), aquela que foi escrita pelo próprio dedo de Deus em duas tábuas de pedra (ver Êxodo 31:18; Deuteronômio 5:22), o apóstolo Paulo escreveu aos romanos o seguinte:

“...mas onde não há lei também não há transgressão.” Romanos 4:15.

É básico o entendimento que o homem não pode transgredir aquilo que não existe.

Ele também escreveu:

“Anulamos, pois, a lei pela fé? De modo nenhum, antes estabelecemos a lei.” Romanos 3:31.

A questão é a seguinte: Que lei é esta que não pode ser anulada pela fé? Observe agora atentamente o que escreveu Paulo aos Romanos:

“A ninguém devais coisa alguma, senão o amor recíproco; pois quem ama ao próximo tem cumprido a lei. Com efeito: Não adulterarás; não matarás; não furtarás; não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo. De modo que o amor é o cumprimento da lei.” Romanos 13:8-10 (comparar com Êxodo 20:13, 14, 15 e 17 e Levítico 19:18).

A que lei estava se referindo Paulo? É evidente que ele estava se referindo à lei dos dez mandamentos. Na epístola aos Gálatas ele enfatizou com toda a coerência esse mesmo princípio:

“Pois toda a lei se cumpre numa só palavra, a saber: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.” Gálatas 5:14.

Um outro testemunho de Paulo a favor da lei moral de Deus:

“Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra.” Efésios 6:1-3 (comparar com Êxodo 20:12).

Ele também escreveu:

“Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Contudo, eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conhecia a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás.” Romanos 7:7 (comparar com Êxodo 20:17).

Com relação a esta lei o apóstolo Paulo escreveu também para a comunidade cristã que se reunia em Roma, que a “a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom” Romanos 7:12.

É bom lembrar que o apóstolo Paulo foi um vaso escolhido, para levar o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo aos gentios, aos reis e aos filhos de Israel. (ver Atos 9:15).

A conclusão, pois, é óbvia. As declarações seguintes de Paulo expressam com toda a clareza que o ritual da circuncisão perdera o seu valor e significado com o advento do Messias:

“Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem virtude alguma; mas sim a fé que opera por caridade.” Gálatas 5:6

“A circuncisão é nada e a incircuncisão nada é, mas sim a observância dos mandamentos de Deus.” I Coríntios 7:19.

Assim, com base nos dados apresentados, sob nenhuma hipótese, o apóstolo Paulo tinha em mente orientar a congregação que se reunia na Galácia a se posicionar contra a lei dos dez mandamentos escrita pelo próprio dedo de Deus.

É deveras estranho haver quem procure estabelecer contradição nas declarações do apóstolo Paulo, onde realmente não existe. Há consenso comum que a própria existência do evangelho é prova concludente que a lei dos dez mandamentos está em vigor; porque, qual seria a razão para se anunciar as boas novas que alertam sobre as consequências da transgressão da lei, se a lei não mais existisse? Mais uma vez lembramos que o homem não pode transgredir aquilo que não existe. A Palavra de Deus define o pecado como sendo qualquer violação da lei divina (ver I João 3:4).

Há, porém, uma passagem bíblica que é considerada o centro e a rocha de que se valem milhões de bons irmãos de todas as religiões cristãs, para propagar que a lei moral dos dez mandamentos foi abolida e que Paulo tem se posicionado contra ela. Eis o texto:

“Pois todos quantos são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque escrito está: maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las.” Gálatas 3:10

O apóstolo Paulo faz menção do que a própria lei diz em Deuteronômio 27:26 - “Maldito todo aquele que não pratica todas as coisas escritas no livro desta lei.” Paulo insiste em suas afirmações que maldito é todo aquele que deseja alcançar a salvação por meio das obras da lei que foi escrita em um livro por Moisés. A circuncisão fazia parte daquela lei. Obviamente ele não está se referindo à lei dos dez mandamentos, escrita pelo próprio Deus, pois, não haveria lógica alguma imaginar que uma pessoa, ao decidir amar a Deus de todo o coração, de toda a alma e pensamento e amar aos seus semelhantes como a si mesmo, que é a base da lei imutável de Deus, estaria essa pessoa por causa disso vivendo sob maldição.

Nesta carta aos gálatas, Paulo enfatiza que em Cristo a intenção original da promessa dada à Abraão e sua ampla abrangência estavam sendo restauradas para incluir gentios e judeus, porque “todos vós sois filhos de Deus pela fé.” Gálatas 3:26. A pessoa ao ser batizada, passa a ser revestida da identidade de Cristo, e assim todas as barreiras raciais e sociais deixariam de existir. A esse respeito ele escreveu: “Não há judeu, nem grego; não há servo, nem livre; não há homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. E se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa.” Gálatas 3:28 e 29.

Há de se chamar a atenção para o desfecho da carta, que foi dramaticamente enfatizado por Paulo:

“Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura.” Gálatas 6:15.

Tornar-se uma nova criatura, resgatada pelo sangue de Jesus, transformada pela fé no prometido Messias e Salvador, era o desejo de Paulo para aquela comunidade cristã da Galácia. E isso é possível apenas quando a pessoa crê em Cristo Jesus como seu Salvador pessoal, demonstrando sua fé através de uma vida de obediência aos mandamentos de Deus, culminada com o ato do batismo por imersão em nome de Jesus.

A carta aos gálatas é esclarecedora. Os judaizantes estavam querendo impor a marca da circuncisão como se esta fosse necessária à salvação. Entretanto, Paulo conduz aos gálatas a um exame mais profundo da questão. Ele possuía as “marcas de Jesus”, sinais de todo o seu sofrimento pela causa do evangelho: “Daqui em diante ninguém me moleste; porque eu trago no meu corpo as marcas de Jesus.” Gálatas 6:17.

Hoje, a circuncisão para o povo de Deus, não passa de uma opção pessoal, destituída de qualquer significado religioso.









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