Os 144.000 SeladosImprimir
Profecias do Apocalipse (Parte V)
I – INTRODUÇÃO

Após a abertura dos primeiros seis selos (Apocalipse 6:1-17), é aberto um parêntese, antes de apresentar a abertura do sétimo selo (Apocalipse 8:1 e 2). Para muitos estudiosos da Palavra de Deus esta intercalação tem como objetivo chamar a atenção para um importante acontecimento, o qual tem gerado muitas discussões e variadas interpretações. Trata-se do assinalamento dos cento e quarenta e quatro mil.

Antes de se fazer uma análise sobre o assunto do assinalamento dos 144.000, convém lembrar que, com a abertura do sexto selo, cenas espantosas de tirar o fôlego foram apresentadas ao profeta João. Houve um grande tremor na Terra. Não há dúvidas de que o sexto selo tem tudo a ver com o surgimento do cristianismo romano, fundado em bases falsas, que abalaria e confundiria a genuína fé do primitivo povo de Deus, através as transformações políticas e religiosas por parte do Imperador Constantino. Em outras palavras, a partir de então, surgiria oficialmente uma falsa igreja cristã apoiada pelo Estado. Questões ontológicas de origem pagã passaram a ser impostas nos círculos cristãos, em contraste com os puros ensinos de nosso Senhor Jesus Cristo.

Este é mais um estudo envolvente, o qual deveria por sua importância e significado, merecer a especial atenção de todos aqueles que desejam se alinhar com as claras orientações da Palavra de Deus. Quem são os cento e quarenta e quatro mil? Algumas correntes religiosas afirmam que este número de escolhidos também envolve os gentios convertidos; outras dizem que o período de assinalamento ainda é futuro. Qual é a verdade a respeito?


II – O TEMPO ESPECIAL DO SELAMENTO

“Depois disto vi quatro anjos em pé nos quatro cantos da terra, retendo os quatro ventos da terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, nem sobre o mar, nem contra árvore alguma. E vi outro anjo subir do lado do sol nascente, tendo o selo do Deus vivo; e clamou com grande voz aos quatro anjos, a quem fora dado que danificassem a terra e o mar, dizendo: Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores, até que selemos na sua fronte os servos do nosso Deus. E ouvi o número dos que foram assinalados com o selo, cento e quarenta e quatro mil de todas as tribos dos filhos de Israel.” Apocalipse 7:1-4.

Há muitas interpretações a respeito desse assunto. Muitos sinceros cristãos ensinam que o assinalamento dos cento e quarenta e quatro mil dar-se-á um pouco antes da segunda vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Outros, porém, associam este evento com a morte de Estevão ocorrido no ano 34 d.C. Afinal, o que diz a Palavra de Deus? De acordo com o texto acima, não há indicação de que este assinalamento devesse culminar momentos antes da volta de Cristo, ou com a morte de Estevão no ano 34 d.C., ou que o assinalamento estivesse associado à entrada dos gentios a partir daquela data. O que o texto deixa claro é que os quatro ventos da terra deveriam ser retidos até que fossem selados os cento e quarenta e quatro mil. Ventos nas profecias bíblicas são emblemas de comoções, lutas e guerras entre os povos e nações (Ex.: Daniel 7:2; Jeremias 49:36 e 37) que viriam dos quatro pontos cardeais: norte, sul, leste e oeste. Esta informação é muito significativa, isto porque, logo em seguida, com a abertura do sétimo selo, as trombetas começariam a soar (Apocalipse 8:1 e 2). A figura da “trombeta” possui biblicamente um significado bem específico: GUERRAS (Ex.: Josué 6; Juízes 7:16-23; Jeremias 4:5-7; Joel 2:1-3) A urgência era necessária, pois, logo após o surgimento do falso cristianismo romano implantado pelo Imperador Constantino, soariam as primeiras trombetas, as quais colocariam inicialmente em xeque o Império Romano Ocidental, uma das três divisões do mundo conhecido naquela época. Seria o início da soltura dos ventos ou das guerras que, num ritmo intenso e crescente, danificariam a terra, o mar e as árvores (comparar Apocalipse 7:3 com Apocalipse 8:7 e 8 e 9:13-15)). É muito importante enfatizar que durante a abertura dos sete selos não há indicação bíblica de que a terra, o mar e as árvores tivessem sido atingidos pelos quatro ventos. Assim, tudo fica muito evidente que o assinalamento especial dos cento e quarenta e quatro mil ocorreu entre o período do sexto e o sétimo selo.


III – O SELO DO DEUS VIVO

“E vi outro anjo subir do lado do sol nascente, tendo o selo do Deus vivo; e clamou com grande voz aos quatro anjos, a quem fora dado que danificassem a terra e o mar, dizendo: Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores, até que selemos na sua fronte os servos do nosso Deus.” Apocalipse 7:3.

Considerando o teor do texto, o anjo trazia “o selo do Deus vivo”. De acordo com as palavras do anjo do assinalamento, os servos de Deus receberiam o selo nas suas testas. A razão de terem sido selados em suas testas é porque, segundo comprovado pela ciência, é na parte anterior do cérebro, chamada frontal ou coronal, é que são controlados todos os processos naturais ou biológicos da humana criatura e é ali onde são tomadas as decisões para a vida ou para a morte.

O imperador Constantino tornara-se o maior partidário do cristianismo. Ele foi imperador de Roma de 306 a 337 d.C. Com respeito à sua religião, a devoção de Constantino foi mais particularmente dirigida ao deus sol, o Apolo da mitologia grega e romana. O imperador considerava a Igreja como uma grande força unificadora e estava ansioso para que o cristianismo se tornasse a religião universal do Império Romano. Ele queria evitar todas as lutas internas da Igreja, arrazoando que deveria haver uma Igreja unida e conseqüentemente um império unificado. Após muitos debates, Igreja e Estado uniram-se em torno de uma série de doutrinas espúrias, tornadas oficiais em todas as fronteiras do império. Entre as doutrinas espúrias implantadas neste período, destacamos algumas que se transformaram num divisor de águas para o fiel povo de Deus, pois exerceram forte influência no que diz respeito à questão da adoração: a doutrina da trindade e a observância obrigatória do domingo (dia do deus sol).

Prevendo o que iria acontecer, o apóstolo Paulo, dirigindo-se aos anciãos da igreja de Éfeso, exortou-os com as seguintes palavras:

“Cuidai pois de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a Igreja de Deus, que Ele adquiriu com Seu próprio sangue. Eu sei que depois da minha partida entrarão no meio de vós lobos cruéis que não pouparão o rebanho, e que dentre vós mesmos se levantarão homens, falando coisas perversas para atrair os discípulos após si.” Atos 20:28-30.

Diante das transformações e imposições por parte de Roma, tornara-se cada vez mais difícil para o remanescente povo de Deus manter-se fiel à adoração ao Deus único, Criador e Mantenedor do universo e manter sua fé inabalável no Salvador Jesus Cristo. Nesta época a verdade foi lançada por terra e muitos, por medo ou por conveniências, abandonaram a genuína fé que professavam. Eles passaram a adorar o falso deus triúno e conseqüentemente deixaram de confessar que Jesus é o Filho de Deus. Durante este período o povo de Deus teve que enfrentar uma de suas mais desconcertantes crises de sua história. A verdade do evangelho foi gradativamente sendo substituída pelos erros das falsas doutrinas que foram trazidas do paganismo.

Esta apostasia, porém, não atingiu a todos. De acordo com a Palavra de Deus, cento e quarenta e quatro mil descendentes de todas as tribos dos filhos de Israel (Apocalipse 7:4), que durante suas vidas permaneceram fiéis, receberam o selo do Deus vivo e em suas frontes foi escrito o nome de Deus e do Cordeiro:

“E olhei, e eis o Cordeiro em pé sobre o Monte Sião, e com Ele cento e quarenta e quatro mil, que traziam na fronte escrito o nome dele e o nome de Seu Pai.” Apocalipse 14:1.


IV – QUEM SÃO OS 144.000?

“E ouvi o número dos que foram assinalados com o selo, cento e quarenta e quatro mil de todas as tribos dos filhos de Israel: da tribo de Judá havia doze mil assinalados; da tribo de Rúben, doze mil; da tribo de Gade, doze mil; da tribo de Aser, doze mil; da tribo de Naftali, doze mil; da tribo de Manasses, doze mil; da tribo de Simeão, doze mil; da tribo de Levi, doze mil; da tribo de Issacar, doze mil; da tribo de Zabulom, doze mil; da tribo de José, doze mil; da tribo de Benjamim, doze mil assinalados.” Apocalipse 7:4-8.

Ao se fazer uma leitura atenta, livre de dogmas sectários, verifica-se que os cento e quarenta e quatro mil assinalados com o selo pertenciam às doze tribos de Israel. Estas tribos existiam quando do início da pregação do evangelho. O apóstolo Paulo, quando compareceu perante o rei Agripa, disse: “E agora estou aqui para ser julgado por causa da esperança da promessa feita por Deus aos nossos pais, a qual as nossas doze tribos, servindo a Deus fervorosamente noite e dia, esperam alcançar; ...” Atos 26:6 e 7. E o apóstolo Tiago, ao escrever a sua epístola, aproximadamente no ano 60 d.C., dirige suas palavras “...às doze tribos que andam dispersas...” Tiago 1:1. Percebe-se que as doze tribos, embora estivessem dispersas, haviam sido alcançadas pelo evangelho e, conforme os registros bíblicos, encontravam-se espiritualmente ativas, perseverando na fé e na esperança de serem participantes da herança prometida por Deus ao patriarca Abraão.

A lista das doze tribos dos filhos de Israel assinalados com o selo de Deus não tem relação alguma com as doze tribos que herdaram a terra de Canaã. As tribos de Dã e Efraim, por exemplo, não são consideradas e no lugar delas aparecem as tribos de Levi e de José. Os prováveis motivos para isso não estão diretamente declarados nas Escrituras, todavia, há provas bíblicas de que as tribos de Dã e Efraim associaram-se a um dos pecados mais abomináveis: a idolatria (Juízes 18:30 e Oséias 13:1-3). A omissão das tribos de Dã e Efraim é para nos impressionar com o pensamento de que nem os idólatras e nem os que são traiçoeiros herdarão o reino de Deus. Quanto à inclusão de Levi e José nesta lista dos assinalados com o selo de Deus, lembramos que os mesmos também são filhos de Jacó (Israel) e por este também foram abençoados (Gênesis 49:5 e 22). As famílias de Levi e José também foram lembradas por Moisés, quando este abençoou o povo de Israel (Deuteronômio 33:8 e 13).

Os cento e quarenta e quatro mil são realmente judeus carnais, descendentes dos filhos de Israel. A respeito deles foi escrito o seguinte:

“E ouvi uma voz do céu, como a voz de muitas águas, e como a voz de um grande trovão; e a voz que ouvi era como de harpistas, que tocavam as suas harpas. E cantavam um cântico novo diante do trono, ...e ninguém podia aprender aquele cântico, senão os cento e quarenta e quatro mil, aqueles que foram comprados da terra. Estes são os que não se contaminaram com mulheres; porque são virgens. Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vá. Estes foram comprados dentre os homens para serem as primícias para Deus e para o Cordeiro, e na sua boca não se achou engano; porque são irrepreensíveis.” Apocalipse 14:2-4.

Este grupo de pessoas representa uma classe distinta e especial. Eles foram comprados como primícias para Deus e para o Cordeiro. Por “primícias” entende-se como sendo os primeiros frutos do evangelho. Na antiga lei cerimonial estava declarado que os primeiros frutos da colheita dos israelitas deviam ser levados ao templo para serem dedicados a Deus (Levítico 23:10). As primícias eram as melhores escolhas, os frutos mais especiais, a parte da colheita que amadureceu primeiro. Da mesma forma, aqueles cento e quarenta e quatro mil eram as primícias ou os primeiros frutos especiais do evangelho para Deus e para o Cordeiro.

Diz a Palavra de Deus que “estes são os que não se contaminaram com mulheres; porque são virgens”. Esta proposição profética não diz que os cento e quarenta e quatro mil eram constituídos por pessoas que nunca tenham se casado, pois antes de tudo, o matrimônio é um mandamento de Deus e ter uma esposa nunca foi sinal de contaminação. Esta profecia está falando de fornicação espiritual. O termo “mulheres” não é termo literal, mas é simbólico e significa “igrejas”. O termo “mulheres” nesta profecia representa figurativamente as organizações religiosas que não seguiram as orientações de Deus. Quanto a esse grupo especial, significa que ele nunca se contaminou com a idolatria ou com costumes pagãos e nunca se desviou dos princípios de Deus. Por essa sua conduta, os cento e quarenta e quatro mil são considerados irrepreensíveis, pois em sua boca não se achou engano (Apocalipse 14:5). Esta característica consistiu de eles serem encontrados sem mancha diante de Deus, isto porque eles nunca misturaram a pureza do evangelho com os falsos ensinos.


V - CONCLUSÃO

Após a morte de Cristo um remanescente fiel, descendente das doze tribos de Israel, conservou bem alto o estandarte da sã verdade e destacou-se mais do que outros, em face da época em que foi despertado por Deus para desempenhar uma função especial. Esses vitoriosos são identificados nas Escrituras Sagradas como sendo os cento e quarenta e quatro mil, que levantaram destemidamente a voz para testemunhar do Deus Criador e de Seu Filho Jesus Cristo. Tão eloqüente foi o testemunho deles, que por esse testemunho preferiram antes morrer que alterá-lo. Se o número é simbólico ou literal não importa, o importante a ressaltar é que esse grupo representa um número limitado de israelitas naturais, assinalado figurativamente em suas testas com o selo do Deus vivo antes de serem soltos os quatro ventos, ou seja, antes de soarem as sete trombetas. Esse grupo especial foi identificado por características que formaram a base de seu caráter: obediência, pureza, separação e veracidade.

Esse remanescente de Israel não foi rejeitado por Deus. O apóstolo Paulo trata sobre este assunto de uma forma muito elucidativa: “Pergunto, pois: Acaso rejeitou Deus ao Seu povo? De modo nenhum; porque eu também sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. Deus não rejeitou ao Seu povo que antes conheceu. Ou não sabeis o que a Escritura diz de Elias, como ele fala a Deus contra Israel, dizendo: Senhor, mataram os Teus profetas, e derribaram os Teus altares, e só eu fiquei, e procuram tirar-me a vida? Mas que lhe diz a resposta divina? Reservei para Mim sete mil varões que não dobraram os joelhos diante de Baal. Assim, pois, também no tempo presente ficou um remanescente segundo a eleição da graça.” Romanos 11:1-5.

Foram esses israelitas naturais que cumpriram a ordem de Jesus, quando este estava para subir ao Céu: “...e ser-Me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.” Atos 1:8. A Palavra de Deus confirma que o trabalho deles rendeu muitos frutos. Milhares creram nessa maravilhosa mensagem que trazia esperança e salvação (Atos 2:41, 47; 4:4; 6:7).





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