Apocalipse 17 – A Grande Meretriz, A Besta, Os Reis e os Dez ChifresImprimir
Profecias do Apocalipse (Parte III)

I – INTRODUÇÃO

Quando um dos sete anjos que tinham as sete taças dos juízos de Deus apresentou em visão a grande meretriz ao profeta João, ele tinha como objetivo principal mostrar as características dela e como seria a sua condenação final (Apocalipse 17:1 e 2).

Esta mulher é bem diferente da do capítulo doze. Há muitas interpretações e especulações sobre este assunto. Parece claro, no entanto, que esta profecia abre a cortina do tempo a fim de mostrar em que momento da história surgiria esse grandioso poder político-religioso, simbolizado pela figura de uma grande meretriz.

Os pormenores sobre este poder ampliam o entendimento a respeito das múltiplas ações do inimigo de Deus, o qual magistralmente tem-se utilizado de agentes humanos para realizar as suas pretensões expansionistas, embebedando o mundo inteiro com os seus falsos ensinamentos.

Este capítulo traz informações valiosas e surpreendentes perfeitamente capazes de identificar a grande meretriz e os demais símbolos que a cercam.


II – ENTENDENDO O CAPÍTULO 17

Apocalipse 17:1-18 traz revelações importantes e desvenda o mistério da grande meretriz, em cuja fronte encontra-se escrito um nome simbólico: A Grande Babilônia (Apocalipse 17:5).

Antes de analisarmos todas as suas características, primeiramente se faz necessário descobrir em que época deveria ocorrer todo o desdobramento desta visão.

A primeira evidência é o fato de a visão ter sido mostrada ao profeta João por um dos sete anjos que tinham as sete taças dos juízos de Deus (Apocalipse 17:1). É um forte indício de que as ações da grande meretriz atingirão o seu ápice quando efetivamente forem derramadas as últimas pragas, um acontecimento que desenrolar-se-á momentos antes da segunda vinda de Jesus.

Mais adiante o anjo apresenta detalhes importantíssimos a respeito das sete cabeças, sobre as quais a grande meretriz está assentada. As sete cabeças são sete montes (reinos), sobre os quais a mulher está assentada (Apocalipse 17:9). O termo “monte” simbolicamente significa “reino” (ver Daniel 2:35). As sete cabeças podem também significar “reis”, que seriam os governantes desses reinos (Apocalipse 17:10). As sete cabeças ou os sete reinos que influenciaram de uma forma ou outra o Império Romano, através suas ideologias, normas legais, sistemas estruturais, etc. foram: Egito, Assíria, Babilônia, Medo-Persa, Grécia, Roma Imperial e Roma Eclesiástica. Quando o apóstolo João recebeu esta visão, os cinco primeiros reinos haviam caído (Egito, Assíria, Babilônia, Medo-Persa e Grécia); o sexto reino existia (Império Romano); o sétimo reino ainda não tinha vindo, mas que duraria pouco tempo (Roma Eclesiástica).

Quanto a este último, a sétima cabeça da besta ou o sétimo reino (Roma Eclesiástica), este exerceria o seu domínio temporal de 538 a 1798 d.C., perfazendo o total de 1260 anos (ver nossos estudos publicados sobre Apocalipse 12 e Apocalipse 13). Porém, segundo Apocalipse 17:10, esse domínio duraria pouco tempo. Parece estranho afirmar que o período de 1260 anos seja considerado “pouco tempo”. No entanto, é perfeitamente viável, pois o termo ”pouco tempo” foi aplicado também para as atividades de Satanás contra o povo de Deus, contado a partir da morte de Cristo. O impressionante é que esse “pouco tempo” já perdura quase dois mil anos.

A esse respeito o texto bíblico diz o seguinte:

“...Ai dos que habitam na terra e no mar; porque o diabo desceu a vós, e tem grande ira, sabendo que já tem pouco tempo.” Apocalipse 12:12.

O término do período de domínio temporal de Roma Eclesiástica ocorreu em 1798 d.C., quando o exército francês revolucionário pôs fim às ações desse poder religioso, aprisionando o seu líder, Pio VI que, levado para a França, ali morreu. Durante alguns anos Roma Eclesiástica permaneceu desolada e destituída de seu poder.

Em seguida o anjo faz referência ao surgimento de um oitavo rei ou reino, representado simbolicamente pela grande meretriz, que se estabeleceria baseado no sistema de governo do extinto Império Romano, e ao mesmo tempo faria parte das sete cabeças da besta. Estas informações levam-nos a concluir que este oitavo rei ou reino surgiria necessariamente após 1798 d.C., quando do término do período de domínio temporal do sétimo reino (Roma Eclesiástica). Assim diz o texto:

“A besta que era e já não é, é também o oitavo rei, e é dos sete, e vai-se para a perdição.” Apocalipse 17:11.

A besta sobre a qual está assentada ou estabelecida a grande meretriz representa simbolicamente a estrutura do poder político ou sistema de governo do extinto Império Romano. Embora ferido de morte em 476 d.C., toda a sua estrutura política foi reativada por Roma Eclesiástica, significando que a sua ferida mortal lhe fora curada (Apocalipse 13:3). Por isso a expressão “que era e já não é”. Esta besta é identificada pelas suas sete cabeças e dez chifres (Apocalipse 17:3 e 7). É o mesmo poder apresentado em Apocalipse 13:1.

O oitavo “rei” ou “reino” é simbolizado por uma “prostituta assentada sobre muitas águas; com a qual se prostituíram os reis da terra; e os que habitam sobre a terra se embriagaram com o vinho da sua prostituição”. (Apocalipse 17:1 e 2).


III – A GRANDE MERETRIZ

As interpretações a respeito da grande meretriz ou prostituta são muitas, porém, para o atento pesquisador das Escrituras Sagradas, esta grande prostituta é identificada no próprio capítulo como sendo “a grande cidade que reina sobre os reis da terra.” Apocalipse 17:18.

A declaração bíblica é muito clara e precisa: “A mulher... é a grande cidade.” Tudo indica que a grande meretriz simboliza a Cidade-Estado do Vaticano, conhecida como “Cidade Eterna”, encravada dentro de Roma, localizada no “mons vaticanus”, a “oitava colina” de Roma. Ela possui uma área aproximada de 44 hectares e é o menor Estado político independente do mundo, reconhecido como um estado eclesiástico ou sacerdotal monárquico, governado pelo bispo de Roma, líder máximo da Igreja Romana. A Cidade-Estado do Vaticano foi criada em 11 de fevereiro de 1929, através o Tratado de Latrão, documento assinado pelo então primeiro ministro italiano Benito Mussolini, com o representante de Pio XI, o cardeal Pietro Gaspari.

O líder máximo da Igreja Romana governa soberanamente a Cidade-Estado do Vaticano e tem a plenitude dos poderes legislativo, executivo e judiciário. Por sua vez, a Cidade-Estado do Vaticano abriga em seu território a mais poderosa cúpula religiosa do planeta, através da qual ela mantém as relações e acordos diplomáticos com outros estados soberanos.. Esta cúpula central funciona também soberanamente, isto é, goza de status de um Estado soberano, com as mesmas prerrogativas dadas à Cidade-Estado do Vaticano, tendo também como chefe supremo o líder máximo da Igreja Romana, o mesmo que governa a Cidade-Estado do Vaticano. A cúpula central possui vários órgãos que coordenam e organizam o funcionamento da Igreja Romana ou Roma Eclesiástica em todos os países onde atua e dedica-se inclusive a apoiar todas as suas ações diplomáticas e políticas expansionistas. Roma Eclesiástica é aquela que remonta do quarto século, quando já havia se tornado a religião dominante no Império Romano.

A “grande cidade” vista pelo profeta João é, na realidade, o centro de um monumental sistema político-religioso, que atua em todos os níveis da sociedade. Ela tem participação direta e indireta em organismos internacionais como: ONU (Organização das Nações Unidas), UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), OMC (Organização Mundial do Comércio), OEA (Organização dos Estados Americanos), OMS (Organização Mundial da Saúde), OIT (Organização Internacional do Trabalho), FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), INTOSAI (Organização Internacional de Entidades Fiscalizadoras Superiores), OMT (Organização Mundial do Turismo), UNIDROIT (Instituto Internacional para Unificação do Direito Privado), CMI (Conselho Mundial de Igrejas) e mais dezenas de outros.

Na fronte desta grande meretriz o profeta viu escrito um nome simbólico: “A Grande Babilônia, a mãe das prostitutas e das abominações da terra.” Apocalipse 17:5.

A partir de 1929 esse poder político-religioso surge revestido de grande vigor com o propósito de se tornar a mais poderosa organização religiosa do mundo. A sua influência entre os governos da terra e sua participação com importantes organismos internacionais, com raras exceções, é a mais poderosa de todas as influências humanas. A palavra “Babilônia” significa confusão e sendo ela “mãe”, significa que tem filhas, um símbolo das igrejas que se apegam às suas doutrinas, tradições e por estabelecerem com ela uma aliança ilícita com o mundo. Deste modo a grande meretriz encabeça a confusão reinante no seio do cristianismo com suas doutrinas, muitas das quais de origem pagã.

A grande meretriz foi vista pelo profeta João “vestida de púrpura e de escarlata, e adornada de ouro, pedras preciosas e pérolas; e tinha na mão um cálice de ouro, cheio das abominações e de imundícia da sua prostituição. ...estava embriagada com o sangue dos santos e com o sangue dos mártires de Jesus.” Apocalipse 17:4 e 6. Os pormenores proféticos falam por si e são mais uma prova inconteste de que a simbólica grande meretriz é a Cidade-Estado do Vaticano com sua cúpula central religiosa, governada pelo mesmo poder religioso que nasceu e cresceu dentro do Império Romano, poder religiosos este identificado por seus templos e ornamentos luxuosos e por sua atuação contra os santos durante o período da Idade Média.


IV – A CONDENAÇÃO DA GRANDE BABILÔNIA

A partir do versículo 12 entram em cena os dez chifres que são dez reinos:

“E os dez chifres que viste são dez reis, que ainda não receberam o reino, mas receberão o poder como reis por uma hora, juntamente com a besta. Estes têm um mesmo intento, e entregarão o seu poder e autoridade à besta. ...E os dez chifres que viste na besta são os que aborrecerão a prostituta, e a porão desolada e nua, e comerão a sua carne, e a queimarão no fogo.” Apocalipse 17:12, 13 e 16.

Depois da derrocada do Império Romano em 476 d.C., historicamente considerado o último dos impérios mundiais, o mundo dividiu-se em nações, com suas culturas, raças e línguas, uma divisão que estender-se-á até a segunda vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Esta divisão é representada pelos dez chifres. O mesmo entendimento aplica-se aos dez dedos da estátua, conforme Daniel 2:41.

A profecia prevê que as nações receberão poder como reis juntamente com a besta por “uma hora” (do vocábulo grego “oran”: pode significar não necessariamente uma hora, mas, um espaço definido de tempo ou tempo particular para alguma coisa). Em seguida, por decisão conjunta, entregarão o seu poder e autoridade à besta. Em outras palavras as nações colocarão em prática o sistema de governo do extinto Império Romano. Uma das ações mais cobiçadas é aquela adotada pelo Imperador Constantino. Com o objetivo de se manter no poder e ter o apoio popular, ele oficializou a união do Estado com a Igreja. Quando Estado e Igreja andam juntos, os governantes passam a ser dependentes daquele antigo sistema político-religioso romano. Ao receber dinheiro público para as chamadas “ações sociais”, a grande meretriz se robustece, domina as multidões e torna-se inusitadamente abrangente, a ponto de encabeçar uma poderosa confederação mundial, incluindo igrejas, autoridades civis e militares, governantes, todos apoiados e aglutinados pelo seu poderio econômico, político e religioso, conluiados para tentarem criar um governo global com princípios anti-cristãos, razão porque Deus conclama Seu povo a não se submeter a tais ensinamentos anti-escriturísticos (Apocalipse 18:4).

Diz a profecia que “os dez chifres que viste na besta, estes odiarão a prostituta e a tornarão desolada e nua, e comerão as suas carnes, e a queimarão no fogo.” Apocalipse 17:16.

Durante as cenas finais, antes da gloriosa vinda de Jesus a esta Terra, as nações, sentindo-se enganadas pelas magias praticadas pela grande meretriz (Apocalipse 18:23), levantar-se-ão contra ela (Apocalipse 18:6), queimando-a no fogo. Cumpre-se, assim, a profecia a respeito da queda e destruição da grande Babilônia (Apocalipse 18:2; Apocalipse 14:8).


V – CONCLUSÃO

A grande meretriz encabeça na realidade um gigantesco sistema de engano (Apocalipse 18:23). A sua arrogância, vaidade e orgulho, provindos de suas características únicas, as quais são objetos de tanta admiração e culto, são muito bem destacadas pela Palavra de Deus (ver Apocalipse 17:4 e 18:7).

Sem dúvida alguma, quem está por trás de tudo isso é Satanás. O arqui-enganador aspira eternizar aqui o seu império do mal, na sua longa disputa pela posse da Terra.

A destruição da grande meretriz será inevitável e será idêntica àquela ocorrida à Babilônia antiga (Apocalipse 18:21; Jeremias 51:63 e 64). A idéia da iminência está expressa nas páginas sagradas (Apocalipse 18:8). Embora o capítulo dezessete do livro do Apocalipse descreva poderes malignos que se encontram muito ativos, por outro lado, traz conforto para o povo de Deus. Dentro em breve o nosso Senhor Jesus virá e intervirá a favor dos Seus:

“Pelejarão eles contra o Cordeiro e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os que estão com Ele, os chamados, e eleitos, e fieis.” Apocalipse 17:14.





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E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim. (Mat 24:14)
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