Daniel – Profeta, Estadista e Herói da FéImprimir
Personagens da Bíblia (Parte VIII)
I – INTRODUÇÃO

As Escrituras Sagradas relatam que Daniel pertencia à aristocracia de Judá no final do século VII aC. Ele nasceu durante o reinado de Josias (640-609 aC.) e atingiu a juventude no reinado de Jeoiaquim (609-598 aC.). Nesse período da história, o reino de Judá era um aliado do Egito e posteriormente foi dominado pelo império neobabilônico em ascensão. Em 606 aC., no ano terceiro do reinado de Jeoiaquim, rei de Judá (ver Daniel 1:1), o exército de Babilônia, fez sua primeira investida contra Jerusalém, levando consigo boa parte dos utensílios preciosos que encontrou no templo erguido por Salomão alguns séculos antes (ver Daniel 1:1-2; II Crônicas 36:6 e 7), bem como um bom número de reféns, jovens provenientes da mais alta classe social judaica, sendo que Daniel era um deles. Ele e seus companheiros foram levados presos à Babilônia para que, vivendo em uma nação de idólatras, pudessem testemunhar a favor do único e verdadeiro Deus de Israel.


II - ALGUMAS DAS RAZÕES POR QUE DEUS ENTREGOU JUDÁ E JERUSALÉM ÀS MÃOS DOS BABILÔNIOS

Esse trágico acontecimento foi inicialmente anunciado pelo profeta Isaías à Ezequias, rei de Judá, por volta do ano 700 a.C. Naquele tempo o rei Ezequias estivera muito doente. A sua doença era mortal. Inconformado, Ezequias chorou e orou a Deus para ser poupado, uma vez que ele sempre tinha sido fiel e fazia o que era agradável aos olhos do Senhor. A respeito dele a Bíblia diz que “nenhum dos reis antes ou depois dele andou tão perto de Deus como ele andou.” II Reis 18:5. Em resposta, Deus concedeu-lhe mais quinze anos de vida. Como sinal do cumprimento desta promessa, Deus fez a sombra do relógio do sol recuar dez graus (ver II Reis 20:8-11). Ao ouvir falar da doença de Ezequias, o rei de Babilônia, Berodaque Baladã, enviou mensageiros à presença do rei de Judá. No mundo daquela época Babilônia ainda não estava em evidência, mas sim os assírios. Por isso essa visita tinha também como principal objetivo buscar apoio político para as suas novas conquistas. Lamentavelmente a vaidade e o orgulho tomaram conta do coração do rei Ezequias. Em vez de mostrar a grandeza do seu Deus, ele exibiu toda a sua prosperidade, tesouro e poderio aos visitantes babilônicos. Isto desagradou a Deus: “Então disse Isaías a Ezequias: Ouve a palavra do Senhor. Eis que vêm dias em que será levado para a Babilônia tudo quanto houver em tua casa, bem como o que os teus pais entesouraram até o dia de hoje; não ficará coisa alguma, diz o Senhor. E até mesmo alguns de teus filhos, que procederem de ti, e que tu gerares, levarão; e eles serão eunucos no paço do rei de Babilônia.” II Reis 20:16-18.

Esta profecia demorou quase um século para ser cumprida. Nem o rei Ezequias e nem o profeta Isaías presenciaram o seu cumprimento. A triste realidade é que ao longo dos anos seguintes a maioria dos israelitas resolveu não amar e nem obedecer a Deus. À semelhança de muitos cristãos da atualidade, eles se recusaram frequentemente até mesmo a manterem-se em paz uns com os outros. Pecados como: idolatria e assassinato de pessoas inocentes (ver II Reis 21:10-16); práticas do mal (ver II Reis 24:18-20); ouvidos fechados à voz de Deus (ver Jeremias 3:13) e zombarias e desprezo para com os profetas de Deus (ver II Crônicas 36:15-17).

A Palavra de Deus registra outros pecados piores cometidos pelo povo de Deus, contra os quais os profetas Jeremias e Ezequiel ergueram as suas vozes.

Os textos de Jeremias 9:14; 17:19-27; 22:1-5; Ezequiel 8:1-18 relatam atos de desonestidade, injustiças para com os pobres, assassinatos, transgressões do Sábado, perseguições aos verdadeiros profetas de Deus e cultos praticados ao deus sol. Privilégios concedidos aos profetas que prometiam prosperidade, sem condenar simultaneamente o pecado e a adoração a Baal. Pecados desse tipo certamente pareciam um tanto comuns ou normais à maioria dos indivíduos da época, mas indubitavelmente não eram normais aos olhos de Deus. Esses pecados minavam as verdades relacionadas com o puro e gracioso caráter de Deus, ao mesmo tempo em que corroíam o caráter, o lar e a sociedade das pessoas que os praticavam.

Os graves erros cometidos por seus líderes, fizeram com que o povo de Judá se afundasse cada vez mais em seus pecados.

Era propósito de Deus que Jeoaquim, rei de Judá, atendesse os conselhos do profeta Jeremias. No entanto, por causa da sua ganância, derramou sangue inocente e praticou opressão e violência (ver Jeremias 22:13-17). Ele não deu ouvidos às advertências de Deus e à voz do profeta Jeremias. Depois que o rolo de Jeremias foi lido no templo, o rei ordenou que o rolo fosse trazido e lido em sua presença. Apenas uma pequena parte havia sido lida, quando o rei tomou o rolo, e num acesso de ira cortou-o com um canivete de escrivão e lançou-o para ser consumido no fogo (ver Jeremias 36:1-32).

Outros erros fatais foram praticados pelo rei Jeoiaquim. Por ter se rebelado contra Nabucodonosor, depois de um confronto sangrento entre babilônios e egípcios, o reino de Judá foi atacado pelas tropas dos caldeus, sírios, moabitas e amonitas (ver II Reis 24:1-2).

Depois da morte de Jeoiaquim, assumiu o trono o seu filho Joaquim, com apenas dezoito anos de idade. Ele reinou apenas três meses em Jerusalém, e “fez o que parecia mal aos olhos do Senhor, conforme tudo quanto fizera seu pai”. II Reis 24:9. Outra tragédia se abateu sobre Jerusalém pelo fato de o rei ter virado as costas aos propósitos de Deus (ver II Reis 24:8-16).

O último rei de Judá, Zedequias, tinha sido orientado a submeter-se pacificamente ao domínio temporário de seus conquistadores e que ele não desse ouvido aos falsos profetas (ver Jeremias 27:1-11). Nada, porém, adiantou. O rei Zedequias fez o que era mau aos olhos de Deus e rebelou-se contra o rei Nacubodonosor (ver II Crônicas 36:11-20). A quebra de seu juramento de ser leal ao rei da Babilônia, motivou a destruição de Jerusalém e de seu templo em 586 a.C.


III – A DECISIVA PROVA DE CARÁTER DO JOVEM DANIEL

Os babilônios tinham como hábito procurar jovens talentosos e treiná-los para serem homens experientes na corte imperial. Dentre os cativos, o jovem Daniel era um nobre, descendente do reino de Judá. Desde os primeiros dias de seu exílio, a Palavra de Deus diz que Daniel era instruído em toda a sabedoria, douto em ciência e versado no conhecimento (ver Daniel 1:4). Torna-se evidente, que ele já recebera considerável grau de instrução, como aluno judeu, no reino de Judá. Um dos aspectos marcantes do povo de Deus era a sua notável devoção à educação. A Palavra de Deus menciona especificamente que Daniel se tornara versado na língua e cultura dos caldeus.

Durante três anos Daniel e seus três amigos deveriam receber provisões reais e educação, de modo que pudessem ser preparados a fim de serviram no governo de Nabucodonosor (ver Daniel 1:5). Porém, os sábios conselhos e instruções de seus pais não foram esquecidos. Daniel resolveu agradar a Deus e Deus resolveu abençoar a vida de Daniel.

Daniel ainda era jovem quando foi retirado da simplicidade de seu lar judaico (ver Daniel 1:4). Na corte babilônica foi lhe dado um novo nome (ver Daniel 1:7). A razão de o rei ter mandado mudar o nome de Daniel e o nome de seus companheiros é que ele desejava que eles mudassem suas identidades, inclusive suas personalidades. No seio da cultura judaica os nomes têm importantes significados. O nome “Daniel”, dado por seus pais, significava “Deus é meu juiz”. Seu nome babilônico “Beltessazar”, significava “que o deus Bel proteja o rei”. De acordo com o relato bíblico, Nabucodonosor ordenou que seus soldados pegassem o candelabro de ouro e outros objetos de valor do santuário de Jerusalém e os colocassem no templo pagão de Bel-Marduque, o deus supremo da Babilônia (ver Daniel 1:2). Com intuito de mostrar a soberania deste grande deus, o nome de Daniel foi trocado. Em outras palavras isto significava que o Deus de Israel não era mais o juiz de Daniel e que o deus Bel passaria a ser o protetor do rei e de todos os utensílios sagrados.

Em seguida Daniel e seus companheiros tiveram que passar por um decisiva prova de caráter. A sociedade para onde estes jovens foram levados era materialista e moralmente corrompida. É interessante que Deus não começa o livro de Daniel com uma profecia. Ele inicia relatando a experiência de jovens que estavam longe de casa, sendo postos à prova num país estrangeiro, sujeitos a toda influência tendente ao mal. Daniel e seus companheiros eram jovens israelitas e faziam parte da nobreza e da linhagem real, dotados de sabedoria, inteligência e instrução, razão porque o rei Nabucodonosor determinou que eles fossem alimentados com as iguarias do rei e do vinho que ele bebia (ver Daniel 1:5).

Daniel é o exemplo de um jovem fiel vivendo numa sociedade corrompida, cuja mente poderia ter sido facilmente deturpada. A história registra que Daniel decidiu em seu coração fazer a vontade de seu Deus. O vocábulo “coração” é muitas vezes utilizado na Bíblia e tem um significado muito especial: é o lugar do intelecto e da emoção, o centro do processo do pensamento. O sábio Salomão escreveu a esse respeito o seguinte: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida.” Provérbios 4:23.

Os babilônios puderam mudar o nome de Daniel, mas não a sua lealdade a Deus. O assunto de comer da mesa do rei envolvia sua relação com Deus, pois, como diz a Palavra de Deus, “Daniel, porém, propôs no seu coração não se contaminar com a porção das iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto, pediu ao chefe dos eunucos que lhe concedesse não se contaminar.” Daniel 1:8. Ele pediu ao chefe dos eunucos que servisse a ele e aos seus três companheiros apenas legumes a comer e água a beber, durante o período de dez dias (ver Daniel 1:12). Para permanecer fiel a Deus, Daniel devia viver e comer de maneira simples. Ele sabia que se bebesse do vinho do rei e comesse a comida do rei, ele não poderia se manter leal a Deus e não estaria apto para enfrentar as grandes provas na Babilônia.

À primeira vista, este problema sobre comer e beber parece bem insignificante, no entanto, o inimigo de Deus normalmente se empenha a nos alcançar através dos sentidos: audição, visão, olfato, tato e paladar. A vida cristã bem sucedida depende de guardarmos os nossos sentidos. Deus se comunica conosco e nos alcança pelas células nervosas do cérebro, e se essas células nervosas são influenciadas pelo que comemos e bebemos, que dever mais importante pode haver do que o de preservar o corpo na melhor condição possível?

Dos alimentos cárneos não nos é dito por que isto contaminaria Daniel. Talvez fosse carne que tivesse sido sacrificada aos ídolos e comê-la seria um problema de consciência (ver I Coríntios 10:28); ou talvez fosse uma comida proibida, considerada imunda (ver Levítico 11); ou carne que tivesse sido sangrada inadequadamente (ver Levítico 17:13-14).

E quanto ao vinho que o rei bebia? Deus declarou expressamente que o Seu povo não deveria nem olhar para o vinho, quando este se mostrasse vermelho. Deus nunca autorizou o Seu povo a tomar qualquer substância intoxicante que prejudicasse a mente (ver Provérbios 23:29-32; 20:1 e Isaías 28:7).

Não havia dúvida na mente de Daniel e de seus companheiros. A lealdade a Deus foi mais importante do que a lealdade ao rei. A fidelidade deles estava sendo provada, e o assunto era a obediência a Deus ou ao homem. Tomando-se como base o fiel testemunho desses quatro jovens, o povo de Deus no tempo do fim também não irá hesitar a fazer suas escolhas entre o certo e o errado.

Quando os dez dias se completaram, eles eram os melhores dentre todos os demais jovens (ver Daniel 1:15-20). Eles tinham a mente clara e o corpo saudável. Eles desempenharam o papel de persuasivas testemunhas de Deus. Neste episódio, de forma clara e inegável, quando os obstáculos foram removidos, a fidelidade para com Deus compensou tanto que todos puderam ver os resultados de suas escolhas. Diz a Palavra de Deus que “a estes quatro jovens, Deus lhes deu o conhecimento e a inteligência em todas as letras e em toda a sabedoria; e Daniel era entendido em todas as visões e todos os sonhos. ...e em toda matéria de sabedoria e discernimento, a respeito da qual lhes perguntou o rei, este os achou dez vezes mais doutos do que todos os magos e encantadores que havia em todo o seu reino.” Daniel 1:17 e 20.

Demonstrou-se assim que a fidelidade a Deus é uma forma superior de vida, quando comparada sob a ótica pagã.

Daniel continuou prestando seus serviços à corte babilônica até a queda de Babilônia, ocorrida em 538 aC; e depois ele ficou na corte persa até pelo menos o terceiro ano de Ciro (ver Daniel 10:1).


IV – DANIEL, O PROFETA DE DEUS

De acordo com as palavras de nosso Senhor Jesus Cristo (ver Mateus 24:15), Daniel foi um profeta de Deus. As suas profecias têm sido confirmadas historicamente e têm-se cumprido com absoluta precisão. Eis as ocasiões em que Daniel tem-se destacado como um grande profeta de Deus:

1. Revelado o futuro do mundo

É surpreendente e maravilhosa a história de como Deus tem revelado ao profeta Daniel, com séculos de antecedência, a ascensão e queda dos grandes impérios mundiais. A Palavra de Deus enfatiza sempre que toda sabedoria genuína pertence tão somente a Deus, única fonte que revela as profundezas e os segredos (ver Daniel 2:22). Como ocorreu com José no Egito, cuja história encontra-se relatada no livro de Gênesis, Daniel possuía muito mais talentos do que os sábios pagãos. E, como aconteceu com José no Egito, Daniel acabou por merecer muitas honrarias na Babilônia.

Certo dia, no segundo ano do reinado de Nabucodonosor, o rei teve um sonho e ficou muito perturbado com o que havia sonhado. A Bíblia diz que “passou-se-lhe o sono” (Daniel 2:1), isto quer dizer que o rei não conseguiu mais dormir. O fato de ele ter ficado perturbado com o que havia sonhado é uma indicação que ele não havia esquecido completamente o sonho. Deus tinha um propósito a alcançar através este episódio, pois a partir de então a experiência vitoriosa vivida por Daniel ficou registrada nos anais da história. A sua intimidade com Deus, sem dúvida alguma, fez toda a diferença.

Quando Nabucodonosor despertou de seu sonho, chamou seus sábios. Os homens chamados de “sábios” eram pessoas treinadas e sustentadas às expensas da corte. Faziam parte desta lista de sábios, os magos, os astrólogos, os encantadores e os caldeus (ver Daniel 2:2). Os “caldeus” chegaram a representar a nata da sociedade babilônica. Eram homens de grande conhecimento que influenciaram os negócios políticos e religiosos do reino. Nabucodonosor fez uma dura exigência a todos eles: “...se não me fizerdes saber o sonho e a sua interpretação, sereis despedaçados, e as vossas casas serão feitas um monturo.” Daniel 2:5. O rei temia o significado do sonho. Foi um duro teste para os sábios de Babilônia. Zangado porque os homens mais sábios de seu reino foram incapazes de ajudá-lo, ele ordenou que todos fossem mortos (ver Daniel 2:12). Essa não era uma ameaça vazia, mas uma prática comum na antiga Mesopotâmia. Daniel e seus companheiros tiveram a sua primeira ameaça de morte.

A confissão de fracasso desses sábios (ver Daniel 2:10 e 11) proveu uma oportunidade notável para que Daniel revelasse algo do Deus a quem servia. Daniel era um dos homens sábios, mas não se achava presente àquela reunião. Quando ele tomou conhecimento da ameaça que sobre ele igualmente pairava, dirigiu-se diretamente ao rei e pediu a este que não tivesse tanta pressa na execução da sentença contra os sábios. O pedido de Daniel foi atendido. “Então Daniel foi para casa, e fez saber o caso a Hananias, Misael e Azarias, seus companheiros, para que pedissem misericórdia ao Deus do Céu sobre este mistério, a fim de que Daniel e seus companheiros não perecessem, juntamente com o resto dos sábios de Babilônia.” Daniel 2:17 e 18.

A reunião de oração que Daniel e seus amigos tiveram naquele dia deve ter sido intensa. A vida deles pendia na balança, mas eles podiam buscar a Deus com confiança porque até aquele momento eles haviam servido a Deus, fazendo o que era correto. Depois que Deus revelou à Daniel em visão noturna o que Nabucodonosor havia sonhado, eles ainda oraram, desta vez com louvor e ações de graças (ver Daniel 2:19 e 20).

Daniel começa a sua oração com a frase: “Seja bendito o nome de Deus.” No Antigo Testamento as pessoas freqüentemente bendiziam ao Senhor (ver Juízes 5:9; Neemias 9:5; Salmos 103:1; 134:1). As palavras aramaicas e hebraicas para “bendizer” também podem ser traduzidas como “louvar”, e este é o significado em Daniel 2:19 e 20. As palavras de louvor de Daniel enfatizam a existência de um poder divino que controla a história. Além de controlar todos os corpos celestes, Deus controla a história humana. Ele também é um Deus que Se comunica intimamente com os que estão dispostos a ouvir a Sua voz.

Depois da reunião de oração e louvor, Daniel foi procurar Arioque, o capitão da guarda e posteriormente o rei Nabucodonosor para contar-lhes as boas novas. A primeira preocupação de Daniel foi para com os sábios de Babilônia (ver Daniel 2:24). Embora não tivessem feito nada para obter a suspensão da execução, eles foram salvos por causa da presença de um homem justo em seu meio. Deus lhes mostrou que eles se achavam mortalmente errados. A difícil situação em que os sábios de Babilônia ficaram diante de Nabucodonosor, revelou a plena bancarrota de sua profissão. Não devemos esquecer que o amplo corpo de homens sábios era constituído de eruditos e cientistas. Tendo resolvido o problema dos sábios, Daniel pôs-se diante do rei e explicou que nem os sábios de Babilônia e nem os seus deuses poderiam fazer o que o rei exigia, mas que havia um Deus no Céu que podia revelar os segredos. Daniel não sentia vergonha, nem medo de confessar o seu Deus diante do rei. Mas explicou que não possuía qualquer sabedoria, nem conhecimento superior como razão para o que iria dizer ao rei. Ele atribuiu a revelação e sua explicação completamente a Deus (ver Daniel 2:27 e 28).

Após receber as explicações de Daniel, o rei estava certo de que o seu sonho tinha vindo realmente de um poder sobrenatural. Ele reconheceu o Deus de Daniel como o Rei do universo. O relato bíblico diz que o rei “engrandeceu a Daniel, e lhe deu muitas e grandes dádivas, e o pôs por governador sobre toda a província de Babilônia, como também o fez chefe principal de todos os sábios de Babilônia.” Daniel 2:48.

O profeta não quis desfrutar as suas honras sozinho. Em sua hora de triunfo, ele se lembrou dos que se juntaram em oração com ele (ver Daniel 2:49). O seu pedido ao rei não foi muito simples, pois devemos nos lembrar de que os babilônios nativos provavelmente tiveram que abrir mão de suas posições para dar lugar a esses judeus desconhecidos. Deus usou o cativeiro de Daniel e o sonho de Nabucodonosor para tornar Daniel uma força poderosa em Babilônia. José no Egito teve uma experiência semelhante (Gênesis 50:20). Ambos são exemplos do princípio bíblico de que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus.” Romanos 8:28.

O estudo das profecias tem real importância no contexto da salvação do homem (ver II Pedro 1:19). A profecia bíblica é, em verdade, uma providência divina face a uma situação específica: a pecaminosidade do homem e sua necessidade de salvação. Ela visa assegurar a esperança e a certeza do futuro com mais significado para o cristão.

Deus revelou os segredos do futuro aos Seus profetas (ver Deuteronômio 29:29 e Amós 3:7). Ele não quer que estejamos em trevas, ignorantes ou desorientados. O que Ele revelou é para conhecimento de Seu povo. O plano de Deus é levado a efeito na passagem do tempo. Os fatos não se sucedem por mero acaso ou mesmo por obra exclusiva da providência humana, mas fica muito claro que Deus está no controle de cada coisa, operando silenciosamente, pacientemente, os conselhos de Sua própria vontade, cumprindo-se assim os Seus reais propósitos. Deus revela o fim desde o princípio (ver Isaías 46:9 e 10).

O que Deus apresentou a Nabucodonosor em seu sonho? Por que Deus decidiu mostrar os eventos futuros ao rei pagão utilizando a figura de uma imensa e deslumbrante estátua?

Talvez porque na antiguidade as pessoas desenvolviam a adoração pública ajoelhando-se aos pés das imagens de seus deuses. Algumas dessas imagens eram muito grandes. A estátua do sonho do rei era única no sentido de achar-se composta de quatro seções (cabeça, peito e braços, ventre e coxas, e pernas) que correspondiam a metais diferentes (ouro, prata, bronze e ferro). Curiosamente os pés e dedos da estátua eram constituídos por uma mistura de ferro e barro (ver Daniel 2:31-33).

Repentinamente uma pedra “cortada sem auxílio de mãos”, atingiu os pés da estátua e transformou todo o colossal gigante em pedaços infinitesimais. Sem mãos, significa que ocorreu algo, independentemente da ação do homem. Após destruir por completo a estátua, a pedra tornou-se uma grande montanha, e encheu toda a Terra (ver Daniel 2:34 e 35).

Sob a figura de uma estátua de homem, é feito um simples esboço político do surgimento e queda dos reinos terrestres, que precederiam o estabelecimento do reino milenar do Messias:

- A cabeça de ouro da estátua (ver Daniel 2:32) foi claramente identificada (ver Daniel 2:36 a 38) como o reino de Babilônia. Exerceu o seu domínio de 606 a 538 a.C. Após a morte do rei Nabucodonosor em 562 a.C. , o império babilônico entrou rapidamente em colapso. Belsazar foi o último rei de Babilônia (ver Daniel 5:30 e 31).

- O peito e braços de prata (ver Daniel 2:32 e 39), simbolicamente representavam o Império Medo-Persa. Dominou de 538 a 331 a.C. Como a prata é inferior ao ouro, o reino que seguiu Babilônia era inferior a ela. Em 538 a.C. Dario, o medo e Ciro, o persa, juntaram suas forças para derrotar Babilônia, formando o império medo-persa.

- O ventre e as coxas de bronze (ver Daniel 2:32 e 39), representavam a Grécia. Ela governou o mundo de 331 a 168 a.C. O império Medo-Persa foi sobrepujado por Alexandre, o Grande, fundador do império Greco-Macedônico, em 331 a.C., na batalha de Gaugamela. Após a morte de Alexandre os seus domínios foram divididos em quatro dinastias. Toda essa sucessão foi profetizada em Daniel 8:20-22.

- As pernas de ferro e os pés em parte de ferro e em parte de barro (ver Daniel 2:33 e 40-43). O reino que seguiu a Grécia foi o reino de ferro de Roma, o qual dominou o mundo de 168 a.C a 476 d.C., quando as tribos bárbaras invadiram a Europa. Seu poderio não seria sucedido por outro império mundial, mas sim fragmentado em nações que permanecerão divididos até o retorno do Messias. Como o ferro não se liga com o barro, assim esses reinos não se ligarão um ao outro. Como cumprimento desta profecia, desde então, apesar das muitas tentativas, nunca mais se levantou um império de domínio mundial.

- A pedra cortada sem auxílio de mãos que destruiu a estátua (ver Daniel 2:34, 35, 44 e 45) representa a segunda vinda do Messias e o estabelecimento de Seu Reino aqui na Terra. É muito importante observar que a pedra atinge os pés da estátua. Isto quer dizer que, no segundo advento de Cristo todos os reinos e governos da Terra serão destruídos. Estabelecer-se-á o quinto reino, que subsistirá para sempre, ou seja, um reino que jamais será destruído (ver Daniel 2:44). Esse evento ainda não aconteceu, pois as nações da Terra ainda continuam existindo.

Após ferir e esmiuçar a estátua, a pedra se tornará em um grande monte e encherá toda a Terra (ver Daniel 2:35). A palavra “monte” significa “reino” (ver Isaías 2:2-4; Miquéias 4:1-3). Isto indica que o futuro reino milenar do Messias será estabelecido e se desenrolará aqui mesmo no planeta Terra.

Nabucodonosor impressionou-se com as revelações de Daniel de tal forma que proferiu ao profeta as seguintes palavras: “Certamente o vosso Deus é Deus dos deuses, e o Senhor dos reis, e o revelador dos segredos, pois pudeste revelar este segredo.” Daniel 2:47.

2. O sonho aterrador de um orgulhoso rei

Apesar de tudo, o coração de Nabucodonosor permaneceu orgulhoso e independente. Interessante é que o quarto capítulo de Daniel foi escrito por esse orgulhoso rei. Ele relata que havia recebido um outro sonho. Uma vez mais havia ele convocado os homens sábios e, embora dessa vez pudesse lembrar em detalhes o sonho que havia tido, os homens sábios novamente lhe ofereceram nenhuma explicação. Como os sábios da corte falharam, Daniel entrou em cena para testemunhar em favor da superioridade de Deus sobre os deuses pagãos. Outro fato marcante é que, em Daniel 4, o rei não ameaça ninguém de morte (ver Daniel 4:1-9).

O rei contou que em seu sonho havia contemplado uma árvore magnificente no meio da terra, que se mantinha em tal ritmo de crescimento que a sua altura chegava até o céu e era vista em toda a extensão da terra. Nada havia de assustador no sonho até então. A parte aterrorizante do sonho foi quando apareceu um “vigilante” que descia do Céu, ordenando em voz alta fosse a árvore derrubada e desfolhados os seus galhos. Mas o mesmo vigilante estipulou também que a árvore não devia ser inteiramente destruída. Seu tronco deveria ser deixado entre a “erva do campo”, amarrado “com cadeias de ferro e de bronze”. A ordem era de que “seja mudada a sua mente, para que não seja mais a de homem, e lhe seja dada mente de animal; e passem sobre ele sete tempos.” Daniel 4:16.

A data desse sonho pode ser estabelecido de forma aceitável como tendo ocorrido em 569 a.C., depois que Nabucodonosor já havia reinado durante 37 anos. Daniel ficou perturbado pela seriedade da situação. Como dizer ao rei que ele ficaria louco por sete anos? Mas ele tinha que falar a verdade, quaisquer que fossem as conseqüências. Ele contou a Nabucodonosor o que Deus lhe estava revelando, ou seja, se o rei não modificasse os seus caminhos, sua mente sofreria de uma enfermidade e ele começaria a proceder como se fosse um animal e seria finalmente enxotado para a intempérie, onde comeria a erva do campo durante o período de 7 anos.

Em 587 a.C., cerca de dezoito anos antes de Nabucodonosor receber o sonho da árvore gigantesca, Deus inspirou o profeta Ezequiel, que também vivia em Babilônia, a dizer ao Faraó egípcio que ele igualmente estava sendo comparado por Deus a uma árvore de grande estatura (ver Ezequiel 31). Ezequiel advertiu o Faraó de que, tendo em vista castigar o seu orgulho, Deus enviaria contra ele o rei Nabucodonosor, para cortá-lo como se fosse uma árvore (ver Ezequiel 29:19; 30:10). Ezequiel lançou também uma advertência geral de que nenhuma outra árvore, ou seja, nenhum outro rei ou reino deveria aspirar crescer tanto (ver Ezequiel 31:14).

Em todos os tempos, antes de executar uma sentença, Deus sempre avisa e aponta o erro. Com Nabucodonosor não foi diferente. O rei acariciava uma alta estima excessiva, que é uma espécie de orgulho. Uma exortação de Deus que é válida para todos os tempos está registrada em Deuteronômio 8:17 e 18: “Não digas no teu coração: A minha força, e a fortaleza da minha mão me adquiriram estas riquezas. Antes te lembrarás do Senhor teu Deus, porque Ele é o que te dá força para adquirires riquezas; ...” Quando a pessoa tende a desenvolver o orgulho em seu coração, passa a tratar os outros com menor consideração e com desamor.

O soberbo monarca se esquecera de que o Deus do Céu havia lhe conferido o reino (ver Daniel 2:37) e que Ele tem domínio sobre o reino dos homens (ver Daniel 4:17). Um ano depois do sonho, o rei estava caminhando pela cobertura do seu palácio, e seu coração se encheu de orgulho porque essa bela cidade era em grande parte criação dele. Babilônia era a capital de um poderoso império. Nabucodonosor aumentara o seu tamanho cerca de três vezes em relação ao original, tornando-a assim a maior cidade do mundo. Babilônia cobria uma área de aproximadamente cinco quilômetros quadrados. O comprimento total de seus muros internos e externos era de aproximadamente 21 quilômetros; o muro duplo que protegia a cidade media mais de 31 metros de espessura. Uma outra realização dele foram os jardins suspensos da Babilônia considerados como uma das sete maravilhas do mundo antigo.

No mesmo instante em que se orgulhava de si mesmo, o rei ouviu uma voz do Céu que anunciava haver chegado o momento do juízo, preconizado havia um ano (ver Daniel 4:30 e 31). O rei perdeu a razão e foi expulso para os campos, onde ele passou durante sete anos a comer capim como os bois (ver Daniel 4:33).

A vida do rei foi transformada quando ele reconheceu o Deus verdadeiro e que o Seu domínio é eterno. Ao levantar seus olhos ao Céu, sentiu o poder do Altíssimo. Como conseqüência Deus o restabeleceu ao trono e foi lhe acrescentada excelente grandeza (ver Daniel 4:36).

Existem várias indicações para mostrar que esta conversão foi genuína: 1) Seu desejo de dar publicamente glória a Deus, às custas da própria humilhação, mostra que o monarca outrora orgulhoso não pensava mais que era o maior rei da Terra; 2) No capítulo 3, ele desafiara o Deus de Daniel; agora, ele O reconhecia como o verdadeiro Deus do Céu, que tinha o destino do rei em Suas mãos; 3) Em vez de demonstrar egoísmo e auto-glorificação, agora o seu interesse era a glória de Deus.


3. A visão dos quatro animais

A visão relatada no capítulo 7 do livro de Daniel foi dada ao profeta Daniel, segundo dados históricos, em 553 aC., considerado como sendo o primeiro ano de Belsazar, rei de Babilônia (ver Daniel 7:1). O rei Nabucodonosor havia falecido há nove anos. O próprio Daniel tinha aproximadamente a idade de 70 anos.

O profeta Daniel relata a sua visão: “Eu estava olhando, numa visão noturna, e eis que os quatro ventos do céu agitavam o Mar Grande. E quatro grandes animais, diferentes uns dos outros, subiam do mar. O primeiro era como leão, e tinha asas de águia; enquanto eu olhava, foram-lhe arrancadas as asas, e foi levantado da terra, e posto em dois pés como um homem; e foi-lhe dado um coração de homem. Continuei olhando, e eis aqui o segundo animal, semelhante a um urso, o qual se levantou de um lado, tendo na boca três costelas entre os seus dentes; e foi-lhe dito assim: Levanta-te, devora muita carne. Depois disto, continuei olhando, e eis aqui outro, semelhante a um leopardo, e tinha nas costas quatro asas de ave; tinha também este animal quatro cabeças; e foi-lhe dado domínio. Depois disto, eu continuava olhando, em visões noturnas, e eis aqui o quarto animal, terrível e espantoso, e muito forte, o qual tinha grandes dentes de ferro; ele devorava e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes dele, e tinha dez chifres. Eu considerava os chifres, e eis que entre eles subiu outro chifre, pequeno, diante do qual três dos primeiros chifres foram arrancados; e eis que neste chifre havia olhos, como os de homem, e uma boca que falava grandes coisas” Daniel 7:1-8.

De acordo com o relato bíblico, o profeta Daniel viu subindo do Mar Grande, quatro grandes animais. É importante observar que o mar estava sendo agitado pelos quatro ventos do céu quando estes quatro animais apareceram. Os quatro ventos que agitaram o Mar Grande (ver Daniel 7:2) significam lutas, guerras e comoções (ver Jeremias 49:36 e 37). Os reinos surgiram e ruíram como resultado das guerras. Mar e águas, nas profecias, representam povos, multidões, nações e línguas (ver Isaías 17:12 e 13; Jeremias 47:1 e 2; Apocalipse 17:15). Nesta profecia, ao ser mencionado o “Mar Grande” (atualmente conhecido por Mar Mediterrâneo), Deus queria também chamar a atenção quanto à localização geográfica onde ocorreriam esses conflitos. Os quatro ventos soprando sobre o mar simbolizam destruição, conflitos e guerras entre a humanidade. Eles sopraram sobre povos, nações e dessas guerras entre os homens surgiram quatro grandes bestas ou monarquias, que tiveram seu período de domínio uma após outra.

Trata-se de uma importante profecia, simbolizando quatro impérios mundiais poderosos que se levantariam sucessivamente, sendo eles: Babilônia, Medo-Persa, Grécia e Roma. Esta visão que o profeta Daniel teve é paralela ao sonho que Nabucodonosor teve aproximadamente 51 anos antes, cujo relato encontra-se no capítulo 2 do livro de Daniel. (Desejando saber maiores detalhes a respeito desta visão, ver estudo: “OS QUATRO ANIMAIS SIMBÓLICOS E OS IMPÉRIOS MUNDIAIS”).


4. A visão do carneiro, bode e de seus chifres

O profeta Daniel teve esta visão em 551 aC., no terceiro ano do reinado de Belsazar, rei de Babilônia. Em visão ele foi transportado para o futuro, ao período do Império Medo-Persa que até então ainda não havia assumido a liderança mundial. Deus estava preocupado em revelar ao profeta Daniel os fatos futuros que atingiriam o Seu povo.

Esta visão teve como objetivo revelar detalhes sobre a profanação que ocorreria ao Santuário terrestre, no final do Império Grego, no período de 168 a 165 aC., sob o reinado do feroz e sanguinário Antíoco Epifanes IV, da divisão dos Selêucidas, tendo como consequência o terrível massacre de dezenas de milhares de judeus.

A profecia do capítulo 8 do livro de Daniel, com todos os seus desdobramentos, cumpriu-se plenamente na época determinada em seus mínimos detalhes. O ataque praticado por Antíoco Epifânes IV contra o povo de Deus foi o pior de todos os ataques de inimigos sofridos até então. Poder-se-ia dizer, inclusive, que este feroz ataque foi o que esteve mais perto de extirpar completamente a fé judaica. Para os que desejam obter maiores detalhes, há um estudo postado neste site sob o título: “A PROFANAÇÃO E A PURIFICAÇÃO DO SANTUÁRIO TERRESTRE”.

5. A mensagem de condenação e o fim do império babilônico

Os anos se passaram e Babilônia seguia uma trajetória continuamente descendente, deixando para trás sua época dourada. Nabucodonosor foi sucedido por uma série de governantes incompetentes. Era o ano de 538 aC., vinte e quatro anos depois da morte de Nabucodonosor. A ruína de Babilônia estava prestes a acontecer, pois um destacamento militar persa, comandado por Ciro, deslocara-se rapidamente para o sul, estacionando junto aos muros de Babilônia. Os muros eram grandes e fortes e seus armazéns achavam-se repletos de alimentos. O rio Eufrates trazia água à vontade para dentro da cidade. Para os líderes nacionais, Babilônia era invencível a qualquer inimigo. No entanto, deliberadamente o novo rei de Babilônia, de nome Belsazar, decidiu desafiar o Deus Altíssimo, ao promover um banquete. De modo blasfemo, quando o vinho começou a surtir efeito, Belsazar ordenou a seus mordomos que trouxessem os utensílios sagrados que Nabucodonosor havia removido do templo de Jerusalém. Dentre esses utensílios havia vasos sagrados que tinham sido dedicados ao Senhor, os quais foram utilizados pelos convivas para oferecerem brindes a seus ídolos (ver Daniel 5:1-4). Esse foi o último desafio do imoral Belsazar.

Em meio àquela orgíaca festividade pagã, onde ressoavam risos sarcásticos regados a muito vinho embriagante, a mão de Deus escreveu na parede com letras de fogo, estranhas e misteriosas palavras. A Bíblia diz que o semblante do rei mudou. As mãos tremiam e os joelhos batiam um no outro. A festança parou, e um silêncio mortal encheu a sala (ver Daniel 5:5 e 6).

Repetindo o gesto de seu avô, Nabucodonosor, o rei Belsazar pediu aos astrólogos, aos adivinhadores e aos sábios a interpretação daquelas palavras. Como a inscrição foi escrita em aramaico, ninguém foi capaz sequer de ler a escrita, muito menos de interpretá-la (ver Daniel 5:7-9).

Então a rainha-mãe entrou na casa do banquete e orientou ao rei a chamar o profeta Daniel (ver Daniel 5:10-12). Os estudiosos estão divididos sobre se a rainha era a mãe de Belsazar ou sua avó, a esposa de Nabucodonosor. Está descartada a hipótese de ela ser esposa de Belsazar, porque ele e suas concubinas já estavam no banquete (ver Daniel 5:3).

Belsazar falou com Daniel e prometeu, caso ele pudesse ler e interpretar a escrita na parede, conceder-lhe o terceiro lugar no comando do império babilônico. Até então o pai de Belsazar, Nabonidus, oficialmente ainda era o rei de Babilônia. Belsazar, como co-regente, era o segundo no comando. Portanto, ele só podia oferecer o terceiro lugar ao profeta Daniel.

Diante dos líderes e convivas reunidos no salão, Daniel relembrou ao rei o juízo que uma vez caíra sobre Nabucodonosor em virtude de seu orgulho e como a sua mente chegara ao ponto de levá-lo a comportar-se como animal, até que ele confessasse que o Altíssimo reina sobre todos os domínios humanos. Belsazar, por outro lado, sabia de tudo isto, mas escolheu desafiar a lei e a autoridade de Deus e recusou humilhar-se (ver Daniel 5:21-23).

Esta era a mensagem do Céu escrita na parede: MENE, MENE, TEQUEL, UFARSIM (ver Daniel 5:25). A mensagem era clara e específica. Deus havia empilhado os crimes do rei e completado a sua medida. O período de supremacia política de Babilônia havia terminado. Essa foi a última noite dos babilônios e do rei Belsazar. Os babilônios cruzaram a linha-limite que Deus traçara.

Em seguida Daniel disse: “Contou Deus o teu reino, e o acabou. Pesado foste na balança e foste achado em falta. Dividido foi o teu reino, e deu-se aos medos e aos persas.” Daniel 5:26-28.

Belsazar, o último monarca babilônico que desafiou a Deus, tomou as decisões que afetaram sua vida. Deus pesou essas decisões a fim de constatar o quanto elas valiam. Deus entregou Belsazar às conseqüências naturais do curso de vida por ele escolhido. Em Romanos 1:18 a 32, o apóstolo Paulo revela a atitude de Deus para com todos aqueles que, à semelhança de Belsazar, escolhem seus próprios caminhos:

“Pois do Céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça. ...Tais homens são por isso indesculpáveis, porquanto, tendo conhecimento de Deus não O glorificaram como Deus, nem Lhe deram graças, antes se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos, e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis. Por isso Deus os entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seus próprios corações, para desonrarem os seus corpos entre si; pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém. ...Por causa disso os entregou Deus a paixões infames. ...E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes. ...Possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores, caluniadores, aborrecidos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais. ...Conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem.” Romanos 1:18-32.

O corpo de Belsazar constituía um templo de Deus, violado, profanado e vazio. Como conseqüência, Babilônia sofreu um terrível massacre, que se estendeu por todo o Império. O historiador Heródoto escreveu que Ciro desviou o rio Eufrates, redirecionando o seu fluxo, levando o nível do rio a baixar para que seus soldados pudessem atravessar os muros da cidade. Quando a água chegou à metade da coxa de um homem, os soldados persas entraram na cidade pelo leito fluvial. Certos de que a cidade não podia ser tomada, os babilônios ficaram descuidados. Assim, em 538 a.C. os persas caíram de surpresa sobre eles e tomaram a cidade. Belsazar foi morto e Dario, o medo, começou a reinar.


6. A visão das setenta semanas

O profeta Daniel teve esta visão no primeiro ano de reinado de Dario, por volta do ano 538 aC. Foi nessa época que Daniel foi apontado como chefe dos presidentes das províncias e foi também condenado a passar uma noite na cova dos leões. O profeta Daniel estava aproximadamente com 85 anos de idade. Ele estava preocupado com os seus compatriotas, pois faltavam poucos anos para se completar uma profecia anunciada pelo profeta Jeremias. Este profeta havia escrito que quando Babilônia derrotasse Jerusalém, o cativeiro duraria cerca de 70 anos, e Daniel sabia disso. Ele sabia que essa profecia estava no fim e também sabia que Deus sempre mantém as Suas promessas. Com os pensamentos voltados para o cumprimento dessa promessa de Deus, o profeta Daniel inicia o relato de um dos mais surpreendentes capítulos da Bíblia (capítulo 9 do livro de Daniel), que anuncia a primeira vinda do Messias, o Seu sacrifício expiatório e o fim do antigo sistema araônico de purificação dos pecados.

Logo no início do capítulo 9 do livro de Daniel, o profeta dirigiu-se a Deus em oração, expressando sua preocupação quanto ao cumprimento dessa profecia escrita pelo profeta Jeremias, que trazia esperança a ele e ao seu povo de uma breve libertação do cativeiro babilônico.

Durante a sua infância, em Jerusalém, Daniel conhecera as mensagens do profeta Jeremias. Certamente guardou com carinho uma cópia dos escritos do profeta. Desenrolando o livro de Jeremias, Daniel leu que depois dos setenta anos de cativeiro, Deus iria castigar a “iniqüidade do rei de Babilônia, ...como também a terra dos caldeus.” Jeremias 25:11 e 12. Daniel certamente desenrolou mais um pedaço do rolo e prosseguiu a leitura com muita atenção: “Logo que se cumprirem para Babilônia setenta anos, atentarei para vós outros e cumprirei para convosco a Minha boa palavra, tornando a trazer-vos para este lugar (Jerusalém)....Então Me invocareis, passareis a orar a Mim, e Eu vos ouvirei. Buscar-Me-eis, e Me achareis, quando Me buscardes de todo o vosso coração.” Jeremias 29:10-13.
Daniel sabia que Deus tinha um plano para livrar o Seu povo do cativeiro. Muitas vezes ele deve ter recorrido a essas e outras profecias (II Crônicas 36:15-21) que esboçavam o propósito de Deus quanto a restauração de Israel em sua terra.

Nesta oração (ver Daniel 9:3-19) Daniel praticou pelo menos seis coisas que merecem a nossa atenção:

1) Ele orou intensamente e com muito fervor;
2) Ele repousou sobre a justiça de Deus e não sobre a sua própria justiça;
3) Ele utilizou as Escrituras Sagradas;
4) Ele confessou seus próprios pecados e os pecados do povo ao qual pertencia.
5) Ele buscou a glória de Deus;
6) Ele reclamou o cumprimento das promessas divinas.

Antes que Daniel terminasse sua oração, o anjo Gabriel trouxe a resposta de Deus. É muito importante enfatizar que a principal preocupação de Daniel era com relação ao seu povo que ainda estava exilado em Babilônia. Ele almejava uma solução para o problema. O anjo Gabriel veio para trazer as boas novas a Daniel. Disse o anjo: “No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para to declarar, pois és muito amado; considera, pois, a palavra e entende a visão.” Daniel 9:23.

O anjo Gabriel trouxe um novo alento para o profeta Daniel. Deus atendeu a oração do profeta e, nesta nova visão, um novo período de tempo estava sendo determinado para o povo judeu. O povo de Daniel estaria livre para voltar à sua terra natal e reconstruir o que havia sido destruído. Esta visão (ver Daniel 9:24-27) indiscutivelmente apontava para esta nova realidade.

Para os que desejam obter maiores detalhes, há um estudo postado neste site sob o título: AS SETENTA SEMANAS DO LIVRO DE DANIEL.

Os demais cenários relatados sobre a vida de Daniel como profeta, servem de inspiração para nos mantermos vitoriosos face à tentação. Através as profecias cheias de sabedoria e precisão é que a humanidade está sendo desafiada a crer no infinito poder do nosso Deus Criador.


V – DANIEL – ESTADISTA E HOMEM DE FÉ

As suas funções como estadista iniciaram-se durante o reinado de Nabucodonosor. Os registros sagrados revelam que o rei de Babilônia também “engrandeceu a Daniel, e lhe deu muitos e grandes dons e o pôs por governador de toda a província de Babilônia, como também por principal governador de todos os sábios de Babilônia.” Daniel 2:48.

No reinado de Belsazar, o rei “ordenou que revestissem Daniel de púrpura e lhe pusessem ao pescoço um colar de ouro e proclamassem que ele ocuparia o terceiro lugar no governo do seu reino.” Daniel 5:29.

Algumas de suas qualidades o fizeram distinguir-se como um grande líder durante o reinado de Dario: “Aprouve a Dario estabelecer sobre o seu reino cento e vinte sátrapas, os quais se distribuiriam por todo o reino e estariam submetidos a três ministros, um dos quais era Daniel, a quem os sátrapas deveriam prestar contas. Isso, a fim de que o rei não fosse defraudado. Ora, Daniel distinguia-se tanto entre os ministros e os sátrapas, porque nele havia um espírito extraordinário, que o rei se propôs colocá-lo à frente de todo o reino.” Daniel 6:1-4.

Em capítulos anteriores há passagens bíblicas que descrevem outras importantes características de Daniel, as quais revelam a pureza de seu caráter (Daniel 1:8; 2:20-23; 2:49; 5:11 e 12; 5:17).

Pelo fato de Daniel ser um dos homens mais poderosos e influentes da corte babilônica, não é difícil imaginar alguém cobiçando o posto. É muito provável que os demais presidentes e sátrapas tivessem ciúmes de Daniel, um estrangeiro que ocupava um lugar importante no reino. A cobiça é uma característica do inimigo de Deus. Satanás foi expulso do Céu porque desejou uma posição que não era sua. Quando os presidentes e sátrapas não conseguiram encontrar nada no caráter e nem nas atividades profissionais de Daniel, para que pudessem desacreditá-lo perante o rei Dario, eles resolveram atingir Daniel em sua prática de lealdade para com o Deus Criador. O decreto declarava que ninguém poderia fazer qualquer petição a qualquer deus ou homem, exceto ao rei, por trinta dias. Em outras palavras, durante esse período de trinta dias, nenhum outro deus deveria ser adorado, exceto o rei Dario (ver Daniel 6:5-8).

Inabalável em sua fidelidade à lei de Deus, Daniel permanecia na velhice, como havia sido na juventude. A questão envolvida era: ADORAÇÃO. Homens ímpios planejaram todo o mal contra esse fiel servo de Deus. Em situações como estas, o pecado acariciado na mente torna-se cada vez mais robusto e cruel: Começa com o ciúme, inveja, ambição, mentira e finaliza com a prática do homicídio doloso.

Quando o profeta Daniel soube que o decreto havia sido assinado, entrou em casa, e como era seu costume, três vezes ao dia se punha de joelhos para orar e dar graças diante do seu Deus (ver Daniel 6:10). Era uma prática do povo de Deus invocar a Deus três vezes ao dia (ver Salmos 55:16 e 17), voltados para Jerusalém, onde havia sido edificado o templo de Deus. Quando da dedicatória do templo, o rei Salomão, referindo-se àqueles que porventura forem levados cativos para alguma terra longínqua ou próxima e “se eles se arrependerem de todo o seu coração e de toda a sua alma, na terra do seu cativeiro, a que os tenham levado cativos, e orarem voltados para a sua terra, que deste a seus pais, e para a cidade que escolheste, e para a casa que edifiquei ao Teu nome, ouve então do Céu, lugar da tua habitação, a sua oração e as suas súplicas, defende a sua causa e perdoa ao teu povo que houver pecado contra Ti.” II Crônicas 6:37-39. Fechar as venezianas da janela e orar a Deus na solidão do seu quarto teria sido uma saída fácil para Daniel. No entanto, ele era uma pessoa metódica. Os seus inimigos sabiam que podiam contar que ele iria orar todos os dias em certo tempo e lugar. Ele não se intimidou com o decreto do rei.

Após ser denunciado pelos inimigos, Daniel foi trazido à presença do rei. Profundamente penalizado com a situação, o rei Dario reconheceu que Daniel era servo de Deus (ver Daniel 6:16). Na verdade, antes desse verso podemos ver a reação do próprio Dario, que percebera a farsa engendrada contra Daniel, mas nada podia fazer após ter assinado o decreto. A lei dos medos e persas dizia que nem mesmo o rei podia modificar a lei; e se ele o fizesse, seria deposto (ver Daniel 6:15). Leões famintos, ferozes e cruéis estavam esperando por Daniel na cova. Uma grande pedra foi trazida e a sua abertura foi selada. O rei sela com o seu anel. Era uma garantia para os inimigos de Daniel de que nenhuma tentativa seria feita para salvá-lo e uma garantia para o rei, de que Daniel não seria prejudicado de alguma forma pelos seus inimigos. O rei tinha forte esperança de que o Deus de Daniel o preservaria dos leões (ver Daniel 6:17).

Diz o relato bíblico que o rei Dario dirigiu-se naquela noite para o seu palácio e “passou a noite em jejum, e não deixou trazer à sua presença instrumentos de música; e fugiu dele o sono.” Daniel 6:18.

Ao romper do dia, o rei Dario foi até à cova dos leões. “E, chegando-se à cova, chamou por Daniel com voz triste; e, falando o rei, disse a Daniel: Daniel, servo do Deus vivo! Dar-se-ia o caso que o teu Deus, a quem tu continuamente serves, tenha podido livrar-te dos leões? Então Daniel falou ao rei: Ó rei, vive para sempre! O meu Deus enviou o seu anjo, e fechou a boca dos leões para que não me fizessem dano, porque foi achada em mim inocência diante dele; e também contra ti, ó rei, não tenho cometido delito algum.” Daniel 6:20-22.

Daniel sabia que estava vivendo em harmonia segundo a vontade de Deus, e que não havia feito nada que justificasse a sua condenação. Por ter Daniel confiado em Deus, Ele enviou o Seu anjo para fechar a boca dos leões. Daniel tinha conhecimento das promessas de Deus (ver Salmos 46:1; Salmos 34:7).

Em seguida todos os homens que levantaram acusações contra Daniel, com suas famílias, foram lançados na cova dos leões. Antes que chegassem no fundo da cova, os leões se apoderaram deles (ver Daniel 6:24). Estes homens que tentaram liquidar a Daniel, assim procederam mesmo sabendo da inocência do profeta de Deus e do registro excelente de sua vida, ao longo de aproximadamente sessenta e oito anos. À semelhança do rei Belsazar, e de tantas outras pessoas que vivem nos dias de hoje, esses homens “não acolheram o amor da verdade”. II Tessalonicenses 2:10.

Logo depois quando ocorreu a manifestação do poder de Deus para com o profeta e estadista Daniel, o rei Dario expressou ligeiramente que ele possuía alguma correta compreensão do caráter e do poder de Deus (ver Daniel 6:27: Salmos 59:1 e 2). No mais, a compreensão que o rei tinha a respeito de Deus era muito limitada. Isso pode ser entendido melhor no decreto que ele baixou. O relacionamento com Deus precisa se basear em nosso próprio encontro pessoal com Ele, por causa do Seu amor, Sua misericórdia, Seu poder, em contraste com a nossa pecaminosidade, nosso desamparo e nossa grande necessidade de redenção. Por causa destes e outros motivos nós O adoramos.

A relevância dessa história para as nossas necessidades atuais é salientada pelo apóstolo Pedro:

“Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar.” I Pedro 5:8.

As pessoas que fixam sua fé em Deus podem ser livradas das tentações de Satanás do mesmo modo como Daniel foi libertado dos leões, pois, como disse o rei Dario, “é o Deus vivo e que permanece para sempre”. Dan. 6:26.


VI - CONCLUSÃO

Em toda a sua vida Daniel passou por grandes provações. No entanto, em nenhum instante ele atravessou momentos tão difíceis aos olhos dos homens como aqueles no final de sua vida. Daniel era um homem piedoso e a sua íntima relação com Deus fez dele um verdadeiro homem, imbuído de uma fé inabalável.

O exemplo do profeta Daniel é um excelente modelo para qualquer pessoa que faz ou quer fazer parte do remanescente de Deus nos dias atuais. Ele não agia como se fosse naturalmente melhor do que os outros. Toda a sua grandeza e bondade vinham de Deus. Quando sua obediência o colocou em conflito com os costumes prevalecentes, ele aproveitou a oportunidade para mostrar o amor e a graça de Deus. Nem mesmo os seus inimigos o consideravam um fanático violento.

Além de sábio, cortesão, intérprete de sonhos, profeta e estadista, Daniel era um homem de fé, tendo suas ações sido posteriormente registradas na galeria dos heróis da fé (ver Hebreus 11:33). O seu exemplo inspirou gerações futuras a serem fiéis à lei de Deus em tempos difíceis, dando provas que tal fidelidade pode trazer a vitória mesmo nas circunstâncias mais adversas.






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