A Mensagem à Igreja em SardesImprimir
As Sete Igrejas do Apocalipse (Parte V)

I – INTRODUÇÃO

Sardes era uma cidade da Ásia Menor, na Turquia, situada no sopé setentrional do monte Tmulos, a 75 quilômetros do mar Egeu. A antiga cidade de Sardes era considerada inexpugnável, por estar localizada a aproximadamente uns 300 metros acima do vale, no topo de penhascos praticamente verticais. Nos tempos antigos, o rei Creso da Lídia escolheu Sardes como capital do seu reino, por imaginar que ali os seus tesouros estariam seguros. Entretanto a auto-suficiência dos seus moradores e a sensação de segurança que eles sentiram sabendo que nenhum exército haveria para escalar tais penhascos fez com que ficassem despreocupados e adormecidos. Numa certa noite um dos soldados do exército de Ciro escalou o penhasco e vendo que os guardas não estavam nos seus postos de vigília, entrou na cidade e abriu as portas para os persas naquela noite. Em idênticas circunstâncias, a cidade de Sardes foi tomada grande números de vezes por exércitos inimigos.

Sardes representa o quinto período histórico vivido pelo povo de Deus, tendo como ponto de partida os vários movimentos da reforma protestante, ocorridos entre os séculos XIV a XVI. A definição da palavra “Sardes” é: Cântico de Alegria. Nesta fase da história algo realmente aconteceu em prol da igreja perseguida. O povo de Deus gemia sob o tacão das perseguições impiedosas da igreja de Roma. Muitos fiéis da igreja que Deus sustentou no “deserto”, atraídos pelos inflamados discursos por parte daqueles homens que lideraram o movimento da reforma protestante, mergulharam posteriormente em profunda apostasia e desviaram-se de Deus. Sentindo-se auto-suficientes e bastante seguros, eles se acomodaram nas questões espirituais. Muitos deles, despreocupados e adormecidos, permitiram que o puro evangelho de Cristo fosse mesclado com as tradições humanas e filosofias pagãs.

Nenhuma carta enviada por nosso Senhor Jesus Cristo nos períodos anteriores foi tão acusatória como a carta enviada à igreja de Sardes. Felizmente os poucos fiéis de Sardes, que permaneceram atentos e vigilantes, conservaram a pureza da fé e o zelo da verdadeira vida cristã, um glorioso patrimônio que se conservou e é seguido por uma minoria nos dias atuais, tal qual aconteceu naquela época.


II – UMA SEVERA REPREENSÃO À IGREJA EM SARDES

O Senhor Jesus dirigiu à Igreja em Sardes as seguintes palavras de repreensão:

“Ao anjo da igreja em Sardes escreve: Isto diz aquele que tem os sete espíritos de Deus, e as sete estrelas. Conheço as tuas obras: tens nome de que vives, e estás morto. Sê vigilante e confirma o restante, que estava para morrer; porque não tenho achado as tuas obras perfeitas diante do Meu Deus. Lembra-te, portanto, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. Pois se não vigiares, virei como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei.”Apocalipse 3:1-3.

Cristo Se apresenta à Igreja com a plenitude de poder que Lhe foi outorgada por Deus, Seu Pai. Evidentemente esta Igreja era aquela que não se envolveu com o cristianismo romano e nem com os movimentos reformistas, que abalaram a Europa durante os séculos XIV a XVI. Ele diz saber todas as obras de Sua Igreja, tanto as boas como as más, em cada período. No caso da Igreja em Sardes, ela é aconselhada a lembrar-se de tudo o que tem ouvido e manter-se fiel aos ensinamentos de Deus. Os que se desviaram do verdadeiro Evangelho, evidentemente não vigiaram e nesse estado de dormência estiveram propensos aos enganos do inimigo de Deus, assim como, por falta de cuidado os habitantes da cidade Sardes caíram nas mãos dos inimigos através a guerra. Os não vigilantes cristãos do período histórico de Sardes deveriam se arrepender, pois pensaram estar vivos, no entanto, o Senhor Jesus os considerou como estando mortos. Não poderia haver uma pretensão mais enganosa do que esta. Um morto que pensa estar vivo. É que uma grande parte dela, não resistindo às mais duras perseguições, tem se afastado de Cristo, e uma igreja que se afasta de Cristo é uma igreja morta. Neste caso as palavras do apóstolo João encaixam-se perfeitamente:

“E o testemunho é este: Que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em Seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.” I João 5:11 e 12.


III – A REFORMA PROTESTANTE E SUAS CONSEQÜÊNCIAS

O ambiente para o povo de Deus naquela época era muito difícil, pois ele vivia clandestinamente e era cruelmente subjugado pelo poder eclesiástico romano. A igreja romana envolveu-se numa contínua luta pela supremacia, punindo os hereges com violência e morte. Os muitos abusos praticados pela igreja romana causaram uma crescente rebelião que se iniciou dentro da Igreja de Roma, por parte de alguns de seus sacerdotes, dentre os quais destacamos: João Huss (1369-1415), João Wycliff (1328-1384), Huldreich Zwinglio (1484-1531) e Martinho Lutero (1483-1546). Outros baluartes do movimento reformista também se destacaram, como é o caso de João Calvino (1509-1564), Guilherme Farel (1489-1565), John Knox (1514-1572) e outros.

Em toda a parte se avolumaram as críticas às extravagâncias e ao luxo da alta cúpula da Igreja de Roma. Os reformistas também condenaram ardentemente as indulgências, a veneração dos santos e o celibato dos padres. H.Zwinglio, por exemplo, afirmava ser desnecessário na igreja a prática de qualquer hierarquia. Era o início de um movimento reformador religioso que abalou profundamente as bases de fé da dominadora igreja medieval.

Os primeiros movimentos esporádicos de protesto contra a igreja de Roma ocorreram nos séculos XIV e XV. Independente das idéias e motivações teológicas, os reformadores acabaram executando um trabalho que favoreceu a obra de Deus. Momentaneamente esses movimentos trouxeram certo alívio para o povo de Deus, pois todas as atenções do clero romano estavam voltadas para impedir a consumação dessa revolução ideológica criada pelos reformistas. Contudo, mesmo empenhados em construir uma plataforma de fé segundo os ensinos da Palavra de Deus, os seguidores desses movimentos não conseguiram avançar nessa busca pela verdade. Como conseqüência, eles mantiveram como base de sua fé muitas das crenças pagãs ensinadas pela igreja de Roma, entre as quais destacamos: a doutrina da trindade, a observância do domingo, a imortalidade da alma, morada nos céus, etc. Assim, de uma forma sorrateira, o inimigo de Deus conseguiu enganar uma boa parte dos fiéis servos de Deus, fazendo-os acreditar que os protestantes anunciariam ao mundo o autêntico evangelho de Cristo. O protesto que os príncipes protestantes apresentaram na dieta de Espira, em 19 de abril de 1529, de onde se origina o nome “protestante”, e que constitui a essência do protestantismo, na prática não foi observado.

Eis a íntegra deste famoso protesto:

“Resolvemos, com a graça de Deus, manter a pura e exclusiva pregação de Sua santa Palavra, tal como ela está contida nos livros bíblicos do Velho e do Novo Testamento, sem acrescentar alguma coisa que possa contrariá-la. Esta palavra é a única verdade; é a regra segura de toda doutrina e de toda vida, e jamais pode falhar ou enganar-nos. Aquele que edificar sobre este fundamento permanecerá contra todos os poderes do inferno, enquanto todas as vaidades humanas erguidas contra ela cairão perante a face de Deus.” History of the Reformation, D’Aubigné, Volume IV, capítulo 6.

Quão distantes deste solene protesto estão hoje aqueles que levantam a bandeira do protestantismo. Desenvolveu-se no meio dos seus seguidores o orgulho e a popularidade a ponto de desaparecer totalmente a vida espiritual. É de se lamentar profundamente que a união profana com os poderes políticos e a manutenção dos principais dogmas criados pela igreja romana tenham-se tornado os principais fatores de sua decadência espiritual. Tem-se apoderado dos protestantes em geral e dos milhares que a eles se filiaram, uma espécie de torpor e de negligência quanto às coisas de Deus e às grandes verdades fundamentais do evangelho. Em 1530, com a formação do primeiro credo protestante, o movimento da Reforma entrou em declínio e surgiu uma nova fase do chamado “protestantismo”, caracterizada pelas igrejas nacionais que recebiam a sua força não de Deus, mas dos governos. Os que não se adequaram às exigências do credo eram sumariamente expulsos, outros perseguidos e severamente punidos.

Outro agravante ocorreu em seguida para o povo de Deus. Para tentar barrar o avanço do protestantismo, após a Reforma Protestante, o Papa Paulo III convocou um concílio na cidade de Trento. Este concílio passou a ser conhecido como “Concílio de Trento”. Ele foi realizado entre os anos de 1545 e 1563. Neste concílio instalou-se a “Contra-Reforma” e foi decidido o retorno da Inquisição, que tinha como objetivo vigiar, perseguir, prender e punir aqueles que não seguiam a doutrina da igreja romana. Milhares de protestantes, judeus e integrantes de outros grupos religiosos foram perseguidos e punidos pelo Tribunal do Santo Ofício.

O nosso Senhor Jesus dirige o seguinte apelo àqueles que se afastaram das fileiras do povo de Deus: “...não achei as tuas obras perfeitas, diante de Deus. Lembra-te pois do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. E, se não vigiares, virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei.” Apocalipse 3:2 e 3.

O povo de Deus recebera no seu castiçal a pura luz do evangelho de Cristo. Agora, no período da igreja de Sardes, esse mesmo povo é exortado a ouvir, guardar e viver em harmonia com aquele glorioso patrimônio. No entanto, muitos, volvendo-se aos padrões humanos e filosofias pagãs, perderam de vista a cristalina verdade da inspiração que os tem permanentemente iluminado durante as mais difíceis crises e durante os caóticos séculos de perseguição.

IV – CONCLUSÃO

Com o fim da inquisição e aprisionamento do Sumo Pontífice da Igreja de Roma, fatos ocorridos em 1773 e 1798 respectivamente, termina o período histórico de Sardes, período este marcado por grandes desafios, vivido pelo pequeno rebanho de Deus. Assim, completa-se também a fase de perseguição dos 1260 anos (538 a 1798 dC) contra o povo de Deus, predita pelo profeta Daniel (Daniel 7:25) e também predita pelo profeta João (Apocalipse 13:5-7).

Nunca houve um período tão escuro em que Deus não tivesse Suas estrelas. Esse remanescente sempre existiu, em todas as eras. No período de Sardes, Deus tinha “algumas pessoas que não contaminaram seus vestidos, ...” Apocalipse 3:4. Por serem vigilantes e perseverantes, conservaram a pureza da fé e o zelo da vida cristã. Como recompensa o Senhor lhes garantiu a felicidade futura, que é a de todos os remidos fiéis, de com Ele andarem no futuro Reino de Deus (Apocalipse 3:4 última parte).

Aos vencedores o Senhor Jesus oferece uma tríplice promessa:

“O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de Meu Pai e diante dos Seus anjos.” Apocalipse 3:5.




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