A História de Um Orgulhoso ReiImprimir
O Livro de Daniel e as Profecias de Deus (Parte IV)

I – INTRODUÇÃO

A Bíblia nos diz que o orgulho e a soberba podem facilmente conduzir a pessoa ao desastre (Provérbios 16:18) e diz-nos também que Deus aborrece o orgulho (Provérbios 8:13). Quando a pessoa tende a desenvolver o orgulho em seu coração, passa a tratar os outros com menor consideração e com desamor. Foi exatamente isso que aconteceu com o rei da Babilônia. Nabucodonosor havia sido profundamente impressionado com a estátua que contemplara no sonho. Começou a crescer nele um ressentimento em virtude das palavras: “Depois de ti se levantará outro reino, inferior ao teu” Daniel 2:39. Inconformado de ele ser identificado pela cabeça de ouro da estátua, o rei decidiu escrever a sua própria profecia dos eventos futuros. Ele construiria uma imagem feita inteiramente de ouro, da cabeça aos pés.
Neste contexto veremos a experiência de três hebreus, que enfrentaram uma prova quanto à fidelidade e à adoração. Era uma tentativa empreendida por um monarca pagão no sentido de compelir à adoração de uma imagem literal, sob pena de morte. É confortante e maravilhoso saber que nosso Deus nos dá forças para enfrentarmos as mais diversas situações. Não importa quão ameaçadora seja a circunstância. Ele nos dá forças para permanecermos fiéis a Ele. A história mostra também de que modo Deus permaneceu ao lado daqueles que nEle confiaram. É a história de três judeus: Hananias (Sadraque), Misael (Mesaque) e Azarias (Abednego). O que eles, o rei e Deus fizeram em seguida, constitui uma das mais famosas e inspiradoras histórias da Bíblia.

Durante o curso do seu longo reinado (606 a 562 a.C), o rei Nabucodonosor aprendeu que o Deus de Daniel e seus companheiros é um revelador de segredos (Daniel 2:28). Mais tarde o rei tivera um outro sonho que o deixou aterrorizado. Entretanto o seu coração permaneceu orgulhoso e independente, até que Deus o removeu do seu trono e o humilhou até o pó. Os capítulos 3 e 4 do livro de Daniel revelam o verdadeiro caráter deste monarca pagão, o qual finalmente teve que se render diante do grandioso poder de Deus.

II – UMA PROVA DE LEALDADE AO SOBERANO DEUS

O rei Nabucodonosor mandou construir uma estátua de ouro (Daniel 3:1). Através a referida imagem levantada pelo rei, pode ser observada uma união do poder civil e poder religioso em Babilônia. O primeiro é representado pelo material de que foi feita a imagem: o ouro Com isto Nabucodonosor desafia a interpretação do sonho feita por Daniel.e passa a simbolizar Babilônia como um reino eterno; e o segundo deve ser observado na medida da imagem: 6x60 (Daniel 3:1). O critério hexagesimal, isto é, com base no algarismo 6, para cálculos e medidas, era usado por sacerdotes babilônicos na prática de astrologia, astronomia e matemática, naturalmente com implicações religiosas. Exemplo: o ano lunar era geralmente computado num total de 360 dias, com 12 meses de 30 dias, cada dia com 24 horas, cada hora com 60 minutos e cada minuto com 60 segundos. Todos esses valores são múltiplos de 6. O círculo era símbolo da divindade. Um círculo é calculado em 360o, que é o produto de 6x60. No panteon babilônico, o deus menor era representado pelo número 6, enquanto 60 apontava para o deus maior. O número 600 significava a totalidade dos deuses. Temos então a unidade 6, a dezena 60 e a centena 600, totalizando 666, cujo número foi apresentado pelo profeta João em Apocalipse 13:18.

Após concluída a construção da imagem, “... o rei Nabucodonosor mandou ajuntar os sátrapas, os prefeitos, os governadores, os conselheiros, os tesoureiros, os juízes, os magistrados, e todos os oficiais das províncias, para que viessem à dedicação da estátua que ele fizera levantar. ...e estavam todos em pé diante da imagem.” Daniel 3:2 e 3.

Não há registro de data desse evento, mas ele deve ter ocorrido vários anos depois da visão de Daniel 2. Parece mais provável que o evento tenha ocorrido entre os anos 594/593 a.C. De acordo com Jeremias 51:59, Zedequias empreendeu uma viagem a Babilônia no quarto ano de seu reinado. É bem possível que ele tenha empreendido essa viagem com o objetivo de atender a ordem do rei Nabucodonosor. Pelo fato de Daniel não ter sido mencionado, conclui-se que ele não esteve presente neste ato de dedicação da estátua.

Conforme relatado no livro “Chronicles”, p. 73, um tablete de barro, traduzido e publicado em 1956, relata que um sério motim irrompeu no exército de Nabucodonosor em dezembro de 594. Talvez a decisão de reunir os oficiais para a festa de dedicação da estátua, tenha sido inspirada pela referida revolta. Os reis da antiguidade sempre tinham que ser cautelosos quanto ao perigo de uma revolta interna.

“E o pregoeiro clamou em alta voz: Ordena-se a vós, ó povos, nações e gentes de todas as línguas: Logo que ouvirdes o som da trombeta, da flauta, da harpa, da cítara, do saltério, da gaita de foles, e de toda a sorte de música, prostrar-vos-eis, e adorareis a imagem de ouro que o rei Nabucodonosor tem levantado. E qualquer que não se prostrar e não a adorar, será na mesma hora lançado dentro duma fornalha de fogo ardente.” Daniel 3:4-6.

O ato de curvar-se diante da imagem seria uma indicação, pelo menos exteriormente, de obediência e lealdade para com o próprio rei. Não se admitia que alguém desafiasse seu poder e autoridade. Queimar os rebeldes não era uma ameaça vazia. Em Jeremias 29:22 está registrado que o rei queimou até a morte dois judeus chamados Zedequias e Acabe

Nem todos, porém se prostraram diante da estátua. Dentre aquela multidão, apenas três hebreus descumpriram a ordem do rei. No entanto, alguns ambiciosos caldeus, líderes de um grupo étnico dominante, movidos provavelmente por inveja por causa das honras e posições de responsabilidade dadas aos três hebreus: Sadraque, Mesaque e Abednego, alegremente aproveitaram a oportunidade para denunciá-los ao rei (Daniel 3:8-12).

Eles tinham fortes motivos de não abrirem mão dos seus princípios neste assunto de curvar-se diante da imagem de ouro. Eles aprenderam que só existe um Deus que deve ser adorado (Isaías 45:5) e que deviam adorar somente o Deus Criador (Isaías 64:8; Apocalipse 14:2). Os três amigos de Daniel recusaram quebrar a lei de Deus (Êxodo 20:3-5), que proibia adoração aos ídolos. Era mais importante para eles obedecer a Deus do que aos homens. Não se importaram se Deus os livrasse ou não. Eles decidiram não prestar culto de adoração aos deuses da Babilônia. Hoje, infelizmente, bilhões de cristãos sinceros adoram um deus dual ou mesmo aquele deus triúno criado pela Babilônia apocalíptica. Há, porém, uma minoria espalhada pelos quatro cantos da Terra, que está decidida em atender as orientações de nosso Senhor Jesus . Ele disse que “vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim O adorem” João 4:23.

III – A FORNALHA ARDENTE

O rei Nabucodonosor ordenou que os três hebreus fossem levados perante ele. Ameaçando-os de lançá-los dentro duma fornalha de fogo ardente, procurou induzi-los a se unirem com a multidão:

“Falou Nabucodonosor, e lhes disse: É verdade, ó Sadraque, Mesaque e Abednego, que vós não servis a meus deuses nem adorais a estátua de ouro que levantei? Agora, pois, se estais prontos, quando ouvirdes o som da trombeta, da flauta, da harpa, da cítara, do saltério, da gaita de foles, e de toda a sorte de música, para vos prostrardes e adorardes a estátua que fiz, bem é; mas, se não adorardes, sereis lançados, na mesma hora, dentro duma fornalha de fogo ardente; e quem é esse deus que vos poderá livrar das minhas mãos?” Daniel 3:14 e 15.

Todas as ameaças do rei foram inúteis. Eles calmamente responderam ao monarca: “Ó Nabucodonosor, não necessitamos de te responder sobre este negócio. Eis que o nosso Deus, a quem nós servimos, pode nos livrar da fornalha de fogo ardente; e Ele nos livrará da tua mão, ó rei. Mas se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses e nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste.” Daniel 3:16-18.

Diz o relato bíblico que a ira do rei não teve limites. Ele se encheu de furor e o aspecto de seu semblante se lhe mudou contra Sadraque, Mesaque e Abednego. Num acesso de ira, ele exigiu que a fornalha fosse aquecida sete vezes. Era uma exigência irracional (Daniel 3:19). Deu ordens para que fortes homens de seu exército atassem os adoradores do Deus de Israel, para serem sumariamente executados. “Então estes homens foram atados, vestidos de seus mantos, suas túnicas, seus turbantes e demais roupas, e foram lançados na fornalha de fogo ardente. Ora, tão urgente era a ordem do rei e a fornalha estava tão quente, que a chama do fogo matou os homens que carregaram a Sadraque, Mesaque e Abednego.” Daniel 3:21 e 22.

Mas o Deus de Israel não esqueceu os Seus. Com espanto Nabucodonosor levantou-se e disse aos seus conselheiros: “Não lançamos nós dentro do fogo três homens atados? Responderam ao rei: É verdade, ó rei. Disse ele: Eu, porém vejo quatro homens soltos, que andam passeando dentro do fogo, e nenhum dano sofrem; e o aspecto do quarto é semelhante a um filho dos deuses.” Daniel 3:24 e 25.

Esquecendo-se de sua própria grandeza e dignidade, Nabucodonosor dirigiu-se à porta da fornalha de fogo ardente, ordenando que Sadraque, Mesaque e Abednego saíssem do meio do fogo. A multidão presente viu que o fogo não tinha tido poder algum sobre os corpos destes três leais servos do Deus vivo. Nem os seus cabelos foram chamuscados e nem os seus mantos sofreram mudança e eles nem mesmo cheiravam a fogo (Daniel 3:26 e 27).

Através desse incrível milagre, Deus demonstrou ao imenso império babilônico que Ele é um Deus que cuida de Seus filhos (Isaías 41:10; Salmos 46:1). A expressão “filho dos deuses” significa simplesmente um ser sobrenatural. No verso 28. Nubucodonosor identifica o quarto ser como um anjo. Isto está em conformidade com as promessas de Deus (Salmos 34:7; 91:11).
O rei Nabucodonosor precisava conhecer a Deus (João 17:3). Quando ele descobriu que não era capaz de queimar os homens que se haviam recusado a adorar a estátua de ouro, exclamou entusiasticamente: “Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abednego... Não há outro Deus que possa livrar desta maneira.” Daniel 3:29. Através esse episódio, parece claro que Deus novamente revelou a este monarca o Seu poder e majestade de uma forma grandiosa.
IV – SONHO ATERRADOR DE UM ORGULHOSO REI
Apesar de tudo, o coração de Nabucodonosor permaneceu orgulhoso e independente. Interessante é que o quarto capítulo de Daniel foi escrito por esse orgulhoso rei. Ele relata que havia recebido um outro sonho. Uma vez mais havia ele convocado os homens sábios e, embora dessa vez pudesse lembrar em detalhes o sonho que havia tido, os homens sábios novamente lhe ofereceram nenhuma explicação. Como os sábios da corte falharam, Daniel entrou em cena para testemunhar em favor da superioridade de Deus sobre os deuses pagãos. Outro fato marcante é que, em Daniel 4, o rei não ameaça ninguém de morte (Daniel 4:1-9).
O rei contou que em seu sonho havia contemplado uma árvore magnificente no meio da terra, que se mantinha em tal ritmo de crescimento que a sua altura chegava até o céu e era vista em toda a extensão da terra. Nada havia de assustador no sonho até então. A parte aterrorizante do sonho foi quando apareceu um “vigilante” que descia do Céu, ordenando em voz alta fosse a árvore derrubada e desfolhados os seus galhos. Mas o mesmo vigilante estipulou também que a árvore não devia ser inteiramente destruída. Seu tronco deveria ser deixado entre a “erva do campo”, amarrado “com cadeias de ferro e de bronze”. A ordem era de que “seja mudada a sua mente, para que não seja mais a de homem, e lhe seja dada mente de animal; e passem sobre ele sete tempos.” Daniel 4:16.
A data desse sonho pode ser estabelecido de forma aceitável como tendo ocorrido em 569 a.C., depois que Nabucodonosor já havia reinado durante 37 anos. Daniel ficou perturbado pela seriedade da situação. Como dizer ao rei que ele ficaria louco por sete anos? Mas ele tinha que falar a verdade, quaisquer que fossem as conseqüências. Ele contou a Nabucodonosor o que Deus lhe estava revelando, ou seja, se o rei não modificasse os seus caminhos, sua mente sofreria de uma enfermidade e ele começaria a proceder como se fosse um animal e seria finalmente enxotado para a intempérie, onde comeria a erva do campo durante o período de 7 anos. Em 587 a.C., cerca de dezoito anos antes de Nabucodonosor receber o sonho da árvore gigantesca, Deus inspirou o profeta Ezequiel, que também vivia em Babilônia, a dizer ao Faraó egípcio que ele igualmente estava sendo comparado por Deus a uma árvore de grande estatura (ver Ezequiel 31). Ezequiel advertiu o Faraó de que, tendo em vista castigar o seu orgulho, Deus enviaria contra ele o rei Nabucodonosor, para cortá-lo como se fosse uma árvore (Ezequiel 29:19; 30:10). Ezequiel lançou também uma advertência geral de que nenhuma outra árvore, ou seja, nenhum outro rei ou reino deveria aspirar crescer tanto (Ezequiel 31:14).
Em todos os tempos, antes de executar uma sentença, Deus sempre avisa e aponta o erro. Com Nabucodonosor não foi diferente. O rei acariciava uma alta estima excessiva, que é uma espécie de orgulho. Uma exortação de Deus que é válida para todos os tempos está registrada em Deuteronômio 8:17 e 18: “Não digas no teu coração: A minha força, e a fortaleza da minha mão me adquiriram estas riquezas. Antes te lembrarás do Senhor teu Deus, porque Ele é o que te dá força para adquirires riquezas; ...” Quando a pessoa tende a desenvolver o orgulho em seu coração, passa a tratar os outros com menor consideração e com desamor.
O soberbo monarca se esquecera de que o Deus do Céu havia lhe conferido o reino (Daniel 2:37) e que Ele tem domínio sobre o reino dos homens (Daniel 4:17). Um ano depois do sonho, o rei estava caminhando pela cobertura do seu palácio, e seu coração se encheu de orgulho porque essa bela cidade era em grande parte criação dele. Babilônia era a capital de um poderoso império. Nabucodonosor aumentara o seu tamanho cerca de três vezes em relação ao original, tornando-a assim a maior cidade do mundo. Babilônia cobria uma área de aproximadamente cinco quilômetros quadrados. O comprimento total de seus muros internos e externos era de aproximadamente 21 quilômetros; o muro duplo que protegia a cidade media mais de 31 metros de espessura. Uma outra realização dele foram os jardins suspensos da Babilônia considerados como uma das sete maravilhas do mundo antigo.
No mesmo instante em que se orgulhava de si mesmo, o rei ouviu uma voz do Céu que anunciava haver chegado o momento do juízo preconizado havia um ano (Daniel 4:30 e 31). O rei perdeu a razão e foi expulso para os campos, onde ele passou durante sete anos a comer capim como os bois (Daniel 4:33).
V - CONCLUSÃO
A vida do rei foi transformada quando ele reconheceu o Deus verdadeiro e que o Seu domínio é eterno. Ao levantar seus olhos ao Céu, sentiu o poder do Altíssimo. Como conseqüência Deus o restabeleceu ao trono e foi lhe acrescentada excelente grandeza (Daniel 4:36).
Existem várias indicações para mostrar que esta conversão foi genuína: 1) Seu desejo de dar publicamente glória a Deus, às custas da própria humilhação, mostra que o monarca outrora orgulhoso não pensava mais que era o maior rei da Terra; 2) No capítulo 3, ele desafiara o Deus de Daniel; agora, ele O reconhecia como o verdadeiro Deus do Céu, que tinha o destino do rei em Suas mãos; 3) Em vez de demonstrar egoísmo e auto-glorificação, agora o seu interesse era a glória de Deus.

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